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Arquivo de dezembro, 2004

A fé como escora

15 de dezembro de 2004 Sem comentários

Lá no site cético SciCop tem um texto muito bom escrito por Gregory Lester (Why Bad Beliefs Don’t Die), onde ele comenta que FÉ é aquele sistema lógico que INDEPENDE DE NOSSOS 5 SENTIDOS para se sustentar. É a fé que nos permite dormir tranqüilamente à noite, crentes de que nosso automóvel se encontra intacto na garagem – Apesar de não o estarmos vendo nem ouvindo nem cheirando nem tocando nem lambendo… É uma técnica de sobrevivência desenvolvida pelo homem para lhe permitir abstrair detalhes de um problema e focar sua atenção.

O que os religiosos fazem é se aproveitar desse estado mental natural para ludibriar e usar as pessoas: Eles atraem os fiéis mostrando um mundo lindo (o Jesus de Amor) para, logo depois que elas tiverem baixado a guarda, as transformarem em zumbis (o Jesus de Ódio). Uma vez que a fé vem de dentro, e independe dos 5 sentidos, não adianta você mostrar a um crente a gravação do pastor safado tramando descaradamente o assalto a seu bolso. O método científico das provas e evidências não se aplica aqui!

O caminho para se eliminar a ameaça crente não é a da DESTRUIÇÃO, mas o da SUBSTITUIÇÃO: O cidadão comum PRECISA DE UMA ESCORA (muleta) para se apoiar toda manhã, senão ele cai no chão como uma ameba disforme. “Deus”, este boneco fictício criado por espertalhões, tem sido usado para este fim por milhares de anos. Logo, tirando-se esse pilar das pessoas, precisamos tomar o cuidado de SUBSTITUÍ-LO por outro muito mais consistente: O HUMANISMO SECULAR. A crença de que a humanidade é uma grande família, que precisa lutar dia a dia para transformar a Terra em um paraíso para todos. É o ideal ateísta defendido dos Jogos Olímpicos a Star Trek, de que você pode ser hoje um homem melhor do que foi ontem.

A melhor forma de se combater os pit-bíblias é demonstrar a eles que você NÃO precisa pagar royalties a nenhuma divindade para praticar o bem ao próximo, para levar uma vida justa e ética. Nenhum deus detém os direitos autorais (copyright) do lado bom do ser humano – Aliás, muito pelo contrário…

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Homem não é responsável por mudança climática, diz cientista

9 de dezembro de 2004 Sem comentários

A seguir, Martin Keeley, geólogo e professor convidado na University College of London, argumenta que o homem não é o responsável pelo aquecimento da terra:

“Nós que estudamos a história da Terra anterior à humanidade consideramos o atual debate sobre aquecimento global difícil de ser contextualizado. O clima muda, e é isso mesmo.

Esperar a estabilidade permanente dos padrões climáticos demonstra uma falta de compreensão básica das complexidades e instabilidades do clima.

Se o clima mundial não estivesse ficando mais quente, ele estaria se tornando mais frio. A estagnação não é alternativa.

Regra

Ou as camadas de gelo avançam ou elas diminuem, e ainda bem. Depois da Era do Gelo, o clima está esquentando e o nível do mar aumentando, mas sempre dentro de padrões históricos.

À medida em que o meio ambiente muda, a flora e a fauna ou se adaptam ou morrem. A natureza não é sentimental.

Mas com a agora desacreditada curva de temperatura do último milênio (batizada “bastão de hóquei” e usada pelo Painel em Mudança Climática Inter-govenamental para aumentar a pressão para a aprovação do protocolo de Kyoto), a maioria dos observadores ainda acredita que o clima de hoje é um dos “mais extremos já registrados”.

Essa idéia é simplesmente mentirosa. Sabemos através de descobertas geológicas que variações climáticas e extremas são a regra.

Bilhões

Esses extremos acontecem rápida e gradualmente. Eles não são, obviamente, induzidos por humanos (antropogênicos). Como poderiam eles representar uma ameaça maior do que o terrorismo, como afirma o maior cientista britânico, o professor David King, exceto para aqueles que não querem aceitar a inevitabilidade que é a mudança climática?

Os fatores que influenciam a mudança climática e as variações do nível do mar são múltiplas e complexas. Não consigo entender como alguém pode esperar prever mesmos eventos atuais, quanto mais no futuro.

Nós ainda não conseguimos nem acertar a previsão do tempo para a semana que vem com precisão.

A questão real não é se mudanças climáticas e no nível do mar estão acontecendo e se isso seria bom ou ruim. Elas vêm ocorrendo naturalmente há bilhões de anos.

Prova

Ambientalistas se perguntam se a mudança climática é antropogênica, e, se a resposta for positiva, ela poderia ser interrompida?

Não encontrei nenhuma prova conclusiva de que a poluição humana causou qualquer significativa mudança climática.

Seria mais relevante se perguntar se erupções vulcânicas alteram o clima. Nesse caso, pelo menos, podemos dizer que sim.

A única prova de mudança climática antropogênica (e que para mim parece falha) é que a industrialização ocidental causou um aumento de temperatura.

Ao entrarmos no terceiro milênio, não deveríamos estar preocupados com a questão idiota de que podemos influenciar o clima a um custo absurdo, ainda mais por nos concentrarmos em um único elemento.

Devemos, ao invés, pensar em como podemos nos adaptar à inevitabilidade da mudança climática e o aumento do nível do mar.

Vista assim, a questão das emissões enfrentada por políticos muda totalmente.

Eles não precisam mais ameaçar as emissões de países mais industrializados e limpos, adiando assim as mudanças antropogênicas em mais de uma década, e sim buscar soluções mais pragmáticas.

Isso deve incluir abandonar terras já condenadas a serem inundadas, localizadas abaixo do nível do mar (como a Holanda), transferindo os cultivos mediterrâneos para o norte da Europa, o cultivo de terras frias (como a Groenlândia) e o reflorestamento agressivo como uma alternativa para reabilitar terras secas.

Em relação ao petróleo, ele vai se tornar provavelmente muito caro para ser usado como uma grande fonte de energia em 25 anos.

O aquecimento global é um golpe, aplicado por cientistas com interesses velados, que necessitam ter aulas de geologia, lógica e filosofia da ciência.

Ele dá à imprensa uma nova história de terror, é adotado por grupos de pressão e foi transformado em uma nova religião que oferece o inferno a todos os que não modificam seus hábitos.

Acreditar no aquecimento global antropogênico não é suficiente, mas é tudo o que ele oferece.”

Categories: S.C.

Deus

9 de dezembro de 2004 Sem comentários

Por que haveria de haver um Deus?
Para ser o Princípio?
Mas quem disse que houve princípio?
Quem disse que haverá fim?

O Universo sempre houve
com todas as suas existências
universais e intemediárias.
O Universo sempre foi com
suas leis universais e estar
nela significa estar com Ele.

Por que haveria de haver uma
suprema Consciência?
O Universo não é Consciência
e nem as consciências mudarão
as leis universais, estas,
que simplesmente são.
Que simplesmente estão
para a compreensão.

Se quiserem, chamem de Deus
o Universo, mas não afirmem
que esse Deus é Consciência,
pois não é.
Seria uma limitação do Universo
dizê-lo que é alguma coisa.
O Universo apenas é.

by CAlex Fagundes

Categories: S.C.

Don’t worry about us…

5 de dezembro de 2004 Sem comentários

Pequenos Pequenos Deixemos De Viver Somente Nós, Eu E Vocês, Pois Saberemos, Pois Não Desconhecemos Todos Os Destinos…

…Mas Se Assim Existimos A Quem Servimos Então, Senão Uns aos Outros, Entre Tantos Colapsos, Caos E Perjúrio?

Pequenos Pequenos Não Chorem Por Ninguém, Vivemos Presos Dançando Sobre Uma Lâmina Cega Que Pode Se Tornar Afiada A Qualquer Momento, Pequenos Deixemos De Viver, Já Conheces Nosso Destino, Obedientes São Os Brancos, Pois Os Demais Já Desistiram…

Pequenos, O Que Fazem Chorando Pelos Cantos Desta Sala Escura?

Pequenos Pequenos, A Compreensão É Fruto Da Nossa Aceitação, Isto É…

Isto É, Se Existe Este Fim, Marchemos Para O Certo, Confiança Cega Ao Infinito, Em Algumas Décadas Descobrirão A Existência Dos Pequenos.

Durmam Pequenos, Um Dia, Esta Noite Terá Um Fim…

…É Uma Pena, Ninguém Estará De Pé Para Receber Qualquer Prestígio.

Categories: S.C.

By NIILISTA4

2 de dezembro de 2004 Sem comentários

* uma crônica, naturalmente… mmm… “real”, no qual a autora satiriza a crença “desabestada” da humanidade, sem própósito algum.
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CAPÍTULO UM (O mago Teddynho)

A incômoda impressão de que iria passar desta para outra estava aumentando nos últimos dias. Havia a princípio comentado e alertando amigos mais próximos. Como a passagem demorava a ocorrer, sobrara-lhe tempo de comunicar o pressentimento também aos amigos mais distantes. E nesta fiquei eu sabendo da própria boca do Maguinho, que ele iria nos deixar. Não sabia de onde vinha a informação, se eram deuses ou demônios que lhe sopravam nas idéias, ele apenas sabia! Tinha chegado a hora e fosse quem fosse, estava lhe fazendo o favor de intuir-lhe que estava para ocorrer sua própria morte! Talvez até para que se preparasse, se despedisse, como há poucos é dado. De alguma forma o Maguinho se achou digno deste privilégio e o aceitou. Recebi a notícia de forma bem cética, afinal não é todo pré-defunto que chega te avisar que vêm lhe buscar. A gente nem sabe como se despede. Se finge que acredita para não magoar, ou se tenta uma bela saída, sem emoção, dizendo apenas: “que é isto?deve ser só impressão sua”…

Mas ele era veemente em afirmar até o mês em que se daria o evento. Dezembro! Estava longe três meses. Daria tempo de avisar até aos desconhecidos.

Em janeiro, Maguinho me visitou. A princípio não sabia se era ele ou o fantasma dele, sua aparência sempre fora esquálida e estranha. Apenas sorri e deixei-o que adentrasse. Então ele me contou a história… estava saindo da universidade quando teve a visão de um carro preto, e durante o trajeto tomou cuidado com todos os carros pretos que apontavam na rua. Ele já havia decidido, que não iria embora! Não queria morrer! Agora não queria mais, e num acesso de pânico gritou com Deus: Se você quiser me levar, venha você mesmo me buscar, senão me recuso a ir!

Eu procurava não esboçar nenhum dos risos que tentavam me fugir das entranhas, principalmente porque há tão pouco tempo havia o maguinho me contado que tentara o suicídio várias vezes, e na última inclusive, que o fez desisitir de tentar, havia se jogado de um precipício com mochila e tudo, ficando enroscado num galho de árvore pela alça da mochila salvadora. Quebrou uma perna e voltou para casa arrastando-se de dor e arrastando a mochila, cuja alça passou pela prova de suspender seus cinqüenta quilos arremessados de certa altura. Enquanto ele me contava a mais nova “aventura” eu me recordava desta e de outras anteriores que dele ouvi. Principalmente pelo fato de ter intimado “Deus” a vir pessoalmente busca-lo, me fez cogitar rapidamente a quê Deus teria ele se referido, se ao cornudo da Magia, e por que não à Deusa? Rapidamente refleti sobre o machismo do pobre, que numa hora extrema, embora prestasse culto à deusa e afirmasse aos quatro cantos sua existência, poder e soberania, foi ao Deus macho que convocou, pela gravidade da situação. O poder máximo era dos homens…

Quase fugia minha atenção da sua história, e não ouviria o desfecho principal se não fosse ele ter colocado mais ênfase ao relatar que “dali a uns passos”, viu um carro preto capotado, as quatro rodas viradas para o alto, ainda girando, e próximo do carro preto, o corpo de um menino mais ou menos de sua idade, vinte e três para vinte e quatro anos. O rapaz teve morte instantânea. Neste momento Maguinho concluiu que Deus levara outro em seu lugar… Sentou ao lado do corpo e fez uma oração para o falecido, que fora sacrificado no seu lugar. Não lhe perguntei que tipo de oração fizera, já que nunca se revelara cristão. Mas a magia deve lá ter suas rezas para cada situação. Continuei ouvindo-o até que terminou o relato, e como nada achei para dizer mais apropriado, exprimi sem jeito:

- e então?

- então que concluí, disse o Maguinho, que para Deus ter me poupado, deve haver algum motivo, alguma coisa eu devo ainda realizar por aqui, e outra não deve ser minha missão senão combater estas figuras nojentas que atormentam aos humanos, já que Deus me deu o privilégio de poder vê-las quando as próprias vítimas não as vêem, e apenas sofrem suas influencias maléficas.

- ah, e como tenciona fazer isto?

- No astral, como sempre fiz. Embora eu as veja enquanto estou acordado, saindo de bueiros e atravessando as ruas, é no astral que tenho mais força e domínio sobre elas…

- ah, e com quê se combate uma imagem astral?

- com energia, minha própria energia. Desenvolvi depois de apanhar muito no astral destes seres, uma técnica que as derruba, usando a energia de meu próprio corpo.

- ah, e como vc faz isto?

- Assim – disse ele, espalmando as mãos no ar e mostrando que pelos dedos saem a energia e o poder da pessoa, indo bater diretamente no inimigo astral.

Nessa altura do relato minha visinha entrou na sala e me pegou com uma expressão indecifrável, mas o espanto maior foi meu, porque tão logo colocou a cara na sala, foi logo dizendo:

- Que coisa horrível é aquilo no portão?

Maguinho foi respondendo naturalmente:

- É kesy!

Não tinha percebido que alguém ficara no portão, ainda mais horrível como descreveu Yonara, e corri à janela verificar, mas nada vi.

- Você a viu?- maguinho feliz indagava à minha amiga, feliz com certeza por alguém mais ver o que ele próprio já cogitara se não seria apenas uma criação mental sua-

- Não, não vi. Ou melhor, não olhei diretamente. Se eu olhar, posso até começar a ver, mas nunca quero quando a energia é muito forte e negativa…

- Ela fica me esperando, não pode entrar onde entro sem ser convidada, e quando a dona da casa me convidou a entrar, se dirigiu apenas a mim…

- Ah, ainda bem, brinquei, pior se fosse destes espíritos “entrões”, esta pelo menos tem boa educação.

- Todos os espíritos são assim – me explicou gentilmente maguinho, ele adorava quando alguém mesmo que ironicamente se interessasse por seus assuntos- Os espíritos, continuou ele, obedecem também certas normas, só entram se forem de alguma forma convidados ou atraídos.

- Então a kesy…

- Sim, eu de certa forma a “criei”. Vejo-a como uma fada que acompanha os meus passos.

- ah

Olhei meio perdida para Yonara, mas esta não expressou reação nenhuma, nem de descrença nem de assombro. Tinha vez ou outra um olhar de vesgueio lá para o portão.

Maguinho logo se despediu e fiquei com Yonara, que comentou apenas: “não é nada bom o que o acompanha!”

Comecei a temer pela sanidade de Maguinho. Afeiçoei-me ao dito, como talvez afeiçoa-se a um cãozinho maltratado pela vida, ou a uma criança desprotegida. A observação de Yonara, pessoa que sempre julguei das mais sensatas, não me cabia na razão!

CAPITULO DOIS (todo mundo pensa que sabe alguma coisa)

César mal entrou no escritório já dirigiu seu olhar a mim:

- Que te preocupa, Beatriz?

Incrivelmente estava eu pensando no Maguinho, e preocupada sim. Hesitei alguns segundos em contar para César por este também me parecer um tanto estranho. Sonhara certa vez que ele estava em pé no meu quarto me observando e pela manhã sem que eu nada dissesse, ele me comunicou que fora me visitar em astral, descrevendo minha casa, meu quarto e o modo como eu dormia. Lembrei disto rapidamente antes de decidir que precisava falar com alguém sobre Maguinho, e por que não, César? Se César não desse atenção ao que eu tinha para contar, ninguém mais daria.

Mas pelo contrário do que eu esperava ouvir, ou seja, a confirmação de que meu amigo precisava mesmo de um tratamento ou avaliação médica, César me ouviu inalteradamente até o fim. Embora eu tenha colocado alguns ênfases dramáticos propositadamente a fim de que ele esboçasse alguma reação, nada! CONTINUA…

Já estava começando a achar que a esquisita era eu, e que o mundo todo parecia reagir como se estas coisas inaceitáveis por minha razão, fossem a coisa mais natural e corriqueira.

Rapidamente pensei sobre o valor da opinião popular. Quando mais de duas pessoas pensam que uma coisa pode ser correta, de alguma forma esta passa a ganhar possibilidade dentro de nosso conceito. Por um segundo quase concluí como real as vivências de Maguinho, sendo já a terceira pessoa, incluindo o próprio Maguinho, que a recebia como totalmente normal. Sorri com meu vacilo…e voltei a prestar atenção na fisionomia bondosa de César.

- Nada demais esse seu amigo visualizar estas figuras por aí… há tanta coisa estranha no astral que você nem imagina. Todos vamos para lá enquanto dormimos, você também vai, só que não de forma consciente. Se pudesse ir só uma vez conscientemente, saberia que aquilo que seu amigo vê, é totalmente comum, corriqueiro. Ele simplesmente abriu o “véu” finíssimo da mente, que o faz perceber, mesmo andando no aquém, as coisas do além.

César me relatou com a mesma empolgação que Maguinho relatava suas experiências, como também Yonara relatava as sessões espíritas e a teoria espírita, aliás, todos colocavam um tal gesto de “boca cheia” para falar, que a gente poderia até jurar que era a única verdade aquela que ouvia, mesmo sendo tão diferente uma da outra.

César me falou como o corpo astral começa a se desprender do corpo físico, a maneira como ele vê todas as coisas ao redor, inclusive o próprio corpo físico na cama, a que eu ia respondendo com apenas um “ah”, enquanto o entusiasmo dele aumentava nas narrativas exacerbadas.

- você nem imagina, quantas entidades má intencionadas podem te “pegar” por lá…

-ah…

- e são estas coisas que Maguinho vê, ele não está louco não…existem sim!

-ah …

Fiquei um momento calada, cabisbaixa.

- então você quer me dizer também que de fato, ele estava “marcado” para morrer, e outro acabou indo no seu lugar…

- não, as pessoas misturam muito o que vêem e sentem no astral com suas próprias fantasias. Justamente por ele se descobrir “diferente” das outras pessoas que ele considera comuns, acaba dando atenção para toda e qualquer impressão que venha a ter, mesmo proveniente de um estado depressivo ou de tristeza.

- ah… isto não é de certa forma loucura?

- por isso temos de saber “lidar” com isto, saber reconhecer o que é real ou imaginação…

- ah, e o que determina que algo é real? Como reconhecer?

- A pessoa que está preparada para isto, reconhece…

- hum, e a própria pessoa não pode ter a ilusão de estar preparada?

César nada respondeu. Talvez ele até tenha rapidamente repassado suas experiências a fim de constatar se todas foram exatamente reais como sempre julgou, ou não, porque voltou a falar com a mesma autoridade:

- Leia mais sobre isto, estude mais para poder ajudar seu amigo. Há alguns livros muito bons sobre projeciologia. E a propósito, eu só pude ver a pontinha da perna do seu babydoll rosa, este seu costume de dormir com uma perna só para fora das cobertas, está me cansando…

Eu tinha um babydoll rosa, era meu preferido, eu tinha o costume de colocar uma perna só sobre as cobertas, mas que se danasse! Correr atrás do coelho enigmático como fez Alice, nunca me fascinou. Todo mundo parecia saber algo mais sobre a vida e seus mistérios e a petulância destes “sábios” me indignava.

Eu só queria ajudar meu amigo Maguinho.

CAPÍTULO TRÊS

O domingo estava lindo, ensoralado e preguiçoso. Eu só queria um bom banho de piscina, e quem sabe algumas horas de sono para me recompor do cansaço da semana.

Eu tinha certeza de que não queria visitas quando Maguinho gritou meu nome no portão. Se eu ficasse bem quietinha, nenhum movimento na água, ele nem perceberia que eu estava em casa, pois o muro tirava a visão de onde eu estava. Ao ouvir meu nome pela segunda vez, sei lá que “bondade” me atacou e alegrou de repente a idéia de recebê-lo.

Yonara apareceu de repente ao ver Maguinho chegar, esquecida do dito popular de que a curiosidade matou o gato… Se fascinara mesmo com o garoto!

Lá estava eu, servindo lanchinho e participando da conversa animada de uma espírita fanática com um mago conviccto!

Era só “poder”, “energia” e “espiritualidade” para todo lado… Aquilo ao mesmo tempo que me irritava exercia certo fascínio. Talvez no íntimo eu desejasse que algo realmente fabuloso existisse além deste mundo aparentemente sem sentido que vemos e percebemos através dos cinco sentidos.

Não seria exatamente este desejo tornado muitas vezes maior nestas pessoas que discursavam animadamente, que lhes havia criado a crença de que realmente existia o que afirmavam? Optaram por acreditar no fabuloso, para não serem obrigados a ver o mundo como eu via, tão tosco? Ou este desejo multiplicado ou então a impossibilidade de lidar com as coisas tal como são, sem colocar nenhum mistério para lhes animar e colorir o dia… Fadas protegendo, deuses e deusas criando a natureza e o infinito, um anjo da guarda só para me proteger, me guiar os passos para o melhor caminho… espíritos bons tentando me soprar a melhor decisão, enxotando os espíritos maus que sussurram o contrário… Enfim, alguém realmente se importando comigo, dia e noite! Isto seria fabuloso! Como as pessoas se sentem importantes imaginando isto!

Deve ser bom acreditar que se faz parte de um projeto complexo e maravilhoso, onde você também pode ajudar a “limpar” e colaborar para a evolução interior das pessoas. E o final será o céu, o paraíso para todo mundo… Sem sequer passar pela cabeça, se faz sentido ou não, ser jogado neste mundo cada um num diferente ponto de partida, convocados para uma batalha onde uns ganham armas outros não, de peito aberto apenas… Mas para isto Yonara tem resposta na ponta da língua, e Maguinho concorda: o karma!

No meu karma estava incluído certamente, passar o domingo ensolarado ouvindo idéias filosófico-religiosas, sem saber se posso realmente rir quando me convier… Para não parar apenas no meu costumeiro “ah” tão desconfortável, um leve risinho me faria bem até para minha auto-estima, neste momento me sentia a pessoa mais sem deuses e sem proteção do universo! As realmente poderosas, estavam ali à minha frente: por um lado o Maguinho, com kesy a lhe guiar e proteger, a Deusa da Natureza e o Deus Cornudo; de outro lado, Yonara, com seus espíritos protetores, com uma infinidade de relatos onde o anjo da guarda a protegeu e direcionou. E um galardão maravilhoso que receberia pelos atos de bondade praticados nas sessões mediúnicas onde encaminhou muitos espíritos perdidos para o bem, e para a luz, desviando-os do desejo de vingança sobre os encarnados.

Já eu, não tinha nada disto, nem protetores, nem galardão… por um momento também, desejei ter a minha ilusão.

Já não os via como loucos, louca era eu de não me apoiar em nada neste mundo tão cruel e injusto!

Parecia que já não queriam contar um ao outro suas experiências estupendas na área espiritual, o intuito de maguinho e yonara pareceu-me em algum instante, que era atingir o alvo cético que passava por eles pegando pedaços de conversa, sorrindo e lhes servindo mais suco para lhes molhar a garganta… eu! Pobre de mim… euzinha mesmo… com toda minha insignificância desprotegida que não quis eleger nenhum deus! CONTINUA…

Já tentei quando criança, instruída por meus pais, a rezar para Deus, mas me sentia extremamente idiota falando com alguém que eu não via. Aí minha mãe, toda doce dizia: “não vê, mas pode imaginar no seu coraçãozinho”…eu tentava… mas logo concluía que, eu podia imaginar não só Deus , mas tudo que eu quisesse… e nem por isto passava a existir de verdade… E falar com algo que a gente imaginava era no mínimo uma idiotice que os adultos não deviam cometer! Não entendia porquê o faziam. Mas quem sabe, quando crescesse eu passaria a entender! Isto não se deu com o tempo, impossível, pois se não se traz a idéia de um Deus formada na infância, fica mais difícil conceber um quando deixamos de ser ingênuos. A menos que um distúrbio nos ocorra,ou precisemos nos apoiar em algo que julguemos superior a nós, de onde supomos poder tirar forças.

É, quem sabe se não consegui formar meu Deus na infância, eu ainda crie rapidamente um quando o sapato um dia me aperte! Quem sabe! Há de se saber o que se passa na mente humana e o porquê dela passar a ter um ou outro princípio ou idéia alterados?

Yonara teve de sair pouco antes de Teddynho, muito a contragosto, pois houve uma estranha “comunhão” entre ambos, e por alguns minutos fiquei sozinha com o maguinho.

- e então, gostou de minha amiga, Maguinho?

- gostei, só que algumas coisas que ela fala parecem loucuras…é puro devaneio dela, as coisas não são bem assim.

- ah…

César achava loucura algumas das coisas que Teddynho pensava ser verdade, Teddynho por sua vez julgava loucura certas crenças de Yonara. Yonara já declarara que achava coisa ruim o acompanhante e guia que Teddynho idolatrava com tanto amor e “ignorância”. E os três juntos certamente discutiriam ser loucura uma pessoa como eu não acreditar em nada!

Teddynho já estava de saída quando minha prima Samara chegou de surpresa. Grande surpresa para mim, que tudo que queria era finalmente relaxar…Não sei por quanto tempo é preciso uma pessoa observar a outra para concluir alguma coisa a seu respeito, mas no caso de Samara apenas cruzou com Teddynho no portão e ouviu-o fazendo o desfecho da conversa, ele falava alto, animado anteriormente pela atenção de yonara,

e a fim de que mais alguém ouvisse mesmo que indiretamente suas idéias e experiências:

- Espero que não tenha se assustado com nossas conversas pois bem sei que pode ter fugido do comum, principalmente sobre a kesy que eu criei…- deu dois passos para trás- fingindo baixar o tom de voz continuou: estou indo , kesy! – depois olhou para mim como quem não quer que outra pessoa escute, mas num tom perfeitamente inteligível a quem estivesse a cinco metros de distância: desculpe, preciso avisar que estou indo, senão acabo deixando-a perdida no portão.

- ah… -sorri sem jeito-

Virei-me e vi o muchocho na expressão de Samara:

- Cara esquisito!

- é – sorri de novo, tentando imaginar o que o “esquisito” achara da mudez de Samara.

As pessoas sempre têm opiniões bem rápidas e prontas das outras.

- Que negócio é este de Kesy?

- Ah, é coisa dele!

- Ele pensa mesmo que existe alguém chamado Kesy?

- deve pensar…

- pelo amor de Deus!

- O que foi?

- Bia querida, saia de perto de gente deste tipo! Você sabe que sou evangélica e não acredito nestas coisas!

- Mas se você não acredita, não tem com que se preocupar. A gente não tem medo do que não existe…

- Não é bem por aí, prima querida…

- então, você acha que até pode existir?

- claro, mas não o que ele pensa que existe. O que ele vê é o demônio, que usa as mentes das pessoas para engana-las e conduzi-las ao erro.

- E com que propósito?

- Ora, prima, até parece que você nunca leu a bíblia? (Se li? Não lembro. Quando criança devo ter ouvido alguém ler, mas nada fazia muito sentido, era cansativo, e mesmo que continuasse quietinha não estava ouvindo, pensava sempre longe…)

- o que tem a bíblia?

- ora, prima, que ignorância! A bíblia nos relata muito bem as astúcias do demônio…

- pensei que a bíblia relatasse a história de Deus…

- e relata! Por isto mesmo, através da bíblia Deus nos adverte das artimanhas do diabo e do perigo que corremos se não orarmos e vigiarmos contra este inimigo de nossas almas…

- ahhhh, nunca me dei ao trabalho de me preocupar com estas coisas sobre religião…

- pois deveria! Para onde você espera que vá sua alma depois da morte?

- a alma!… a tarefa dos filósofos de todos os tempos foi tentar provar a existência da alma…

- e precisa, oh menina ignorante, se tudo está na bíblia! Em vão vocês tentam buscar na filosofia e na ciência explicação para a existência. Nós, os crentes temos o privilégio de receber o ensinamento de tudo diretamente de Deus, através da bíblia…

- Deus quem escreveu a bíblia?

- não, ele a ditou aos seus fiéis…

- hum… e quem disse isto?

- a própria bíblia diz!

- ah, a bíblia dá testemunho de si… quem mais afirma isto além da própria bíblia?

- E precisa alguém afirmar quando o próprio Deus falou?

Não sei se minha cota de paciência havia enfim esgotado, mas finalmente eu ri. Samara estava perto dos trinta anos, era uma empresária bem sucedida, inteligente, e vinha me falar dessas coisas tão infantis! Também, Teddynho era inteligente, terminava seu curso de engenharia civil, com notas sempre boas, e Yonara, que falava com espíritos, não era o que se chamasse de uma mulher burra. César, por sua vez, era um ótimo economista, inteligente, culto, e no entanto viajava por “outros mundos” e contava histórias espetaculares de lá…

Parei e pensei, o que acontece com as pessoas? Samara falava com a mesma boca cheia dos outros, cheia de convicção, diria até jactância.

Então lembrei da fábula dos nove cegos e o elefante, cada um desses meus amigos colocava a mão numa parte do elefante e descrevia orgulhoso o que “via”… e eu, em qual parte será peguei, pois para mim o elefante era uma figura muito mais confusa que para os demais, aliás, eu até então nem sabia se queria conhecer o que era um elefante…

- Yonara estava me perguntando de você

- não gosto de Yonara, ela tem umas idéias esquisitas.

- ah, (ela também pensa o mesmo de você, pensei, mas não diria)

- Yonara é uma boa amiga

- eu não disse que não era, as vezes a pessoa até tenta ser boa, fazer o bem, mas o importante mesmo na vida é acreditarmos em Jesus Cristo, professarmos nossa fé, e deixarmos destas bobagens aí, para garantirmos nossa salvação.

- senão…

- senão a condenação eterna, minha cara! O Lago de fogo reservado aos incrédulos.

- não creio que Deus queimaria um ser vivo, eu sendo humana, não faria isto, imagina alguém divino fazer isto.

- Deus é bom, e nos dá toda chance, se não aceitarmos, ele é também justo e cumpre sua palavra!- CONTINUA

- ahhhhh (outro riso)

- Pessoas como Yonara são um alvo fácil para o demônio, tanto é que ela mesmo relata que vê e fala com espíritos. O Inimigo se apresenta na forma que quiser para enganar os incautos… enquanto estiver afastando a pessoa da igreja, o diabo está levando a melhor…

- ahhhh

- Quando Cristo voltar para levar seu povo, essas pessoas vão ficar chorando arrependidas, mas será tarde…

- tem dessas coisas também?

- o quê?

- Cristo virá busca-los?

- Virá sim, e levará todos os que acreditaram nele, e reconheceram como único Filho de Deus e salvador de nossas almas…

- E como isto se dará?

- Na bíblia diz (outra vez a bíblia), que ele virá de repente, nem os anjos do céu sabem o dia de sua vinda, mas se ouvirão muitos ruídos de trombetas anunciando sua vinda,

- ah… e….

- Então Cristo aparecerá sentado em uma nuvem no céu, e arrebatará para ele todos os escolhidos… Todos os olhos o verão… Até os que já morreram, pois estes ressuscitarão…

De repente me lembrei quando tinha seis anos, e morria de medo de passar em frente aos cemitérios, vai que eu acertava bem a horinha exata em que Jesus estava voltando, e de repente todos aqueles corpos se levantassem nas condições que estivessem? Tinha ouvido alguém de minha família dissertar sobre isto e agora me voltava na mente, sorri de novo, agora já sem receio de que meu riso causasse ofensa a alguém, aliás, as próprias histórias que ouvi nos últimos dias significavam uma ofensa à minha inteligência, e ninguém se importava em me perguntar se eu estava gostando ou se de fato queria engolir o que me enfiavam goela abaixo…

Respirei fundo e deixei transparecer meu cansaço. Como boa moça educada Samara logo se despediu.

Na segunda feira, César sempre estaria tentando de um jeito ou de outro me convencer com suas narrativas que a projeciologia é a forma mais rápida de se alcançar o conhecimento…assim ele já fazia quando praticava yoga. As pessoas nos passam com tanto gosto suas próprias experiências, com o propósito que tenhamos vontade de tentar também, agora, se é para reforçar o que pensam, não sei, mas que há a necessidade das pessoas convencerem as outras de suas “verdades” há sim, e é enfadonho, principalmente quando eu não tenho a minha verdade para enfiar na goela de ninguém.

Sozinha enfim, relaxei, mas não por muito tempo. Um ruído vinha da cozinha. Quando eu prestava atenção parava, mal eu voltava aos meus pensamentos o barulho se repetia. Samara voltara? Yonara chegara silenciosamente? Mas o que foi fazer na cozinha sem falar comigo? Lembrei que tranquei à chave o portão aliás, como sempre fazia. Intrigada encaminhei-me à cozinha. O barulho continuava, mas ali não existia uma viva alma. Parecia que muitas pessoas arrastavam seus pratos sobre o tampo de mármore da mesa e não havia nada além do vaso sobre a mesa. O telefone tocou, era Yonara.

- que foi Yonara?

- só para te dizer, passe uma vassoura pela casa, a energia deste menino que aí esteve é muito forte…

- ah…

- e negativa…

- ahhhh

- e a vassoura????

- você simbolicamente varre as energias ruins para fora.

- ah

- não deixe de fazer isto!

-”gente doida”, pensei, “é o que dá ficar ouvindo conversa fiada”…

Não sei se dentro de minha cabeça ou no ambiente que tudo estava pesado mas simulei varrer a casa depois me chamei de idiota. “Preciso me afastar destas conversas malucas”…

O que eu ouvira pareceria loucura para qualquer das outras pessoas assim como as histórias que delas ouvi igualmente tenham se apresentado a mim como loucura. E quem disse que eu as contaria para alguém? A maior parte das pessoas não conta a respeito das impressões mais bobas que têm… ou do que supõe ver ou ouvir… se contam, fortalecem suas próprias loucuras com a loucura dos outros. Acredito que é assim que vão se formando os grupos filosófico-religiosos… Eu aqui na minha, nunca tinha ouvido nada de anormal ou “paranormal” antes de dar atenção para essas conversas… Mais uma vez penso que tudo é coisa da mente.

Churrasco na empresa. Sentei-me ao lado de Carlos, o mais calado do grupo. As pessoas eram cheias de idéias e o maior gosto de todas elas é falar sobre o que pensam. Eu já estava cheia das idéias das pessoas. Não queria ouvir ninguém.

Carlos ficou tão contente por eu ter escolhido sentar ao seu lado, que fez o possível e o impossível para se mostrar agradável. E isto incluía o grande esforço que ele fazia para puxar assunto.

Nos entrosamos rapidamente, e não demorou muito para que Carlos me contasse que era ateu convicto.

Mais uma vez fiquei eu a ouvir outras tantas idéias e revoltas. Todo ateu é revoltado com a religião com a mesma fúria com que os religiosos apregoam seus sermões religiosos.

Ateu é um porre! E pode ser tão ou mais inconveniente e fanático que um religioso.

Õ vidinha besta, my god! Por que as pessoas não podem viver apenas o que se apresenta de real, bonito e concreto, aproveitando cada minuto com alegria, sem se preocupar com coisas tão distantes e incertas?

Enquanto se preocupam para onde vão, nem ao menos sabem onde estão e porquê estão…

Será que a vida é tão sem sentido que precisam apoiar-se em qualquer coisa que lhes garanta um significado, principalmente às suas proprias existências?

Por que estou ficando farta de tudo isto, por que nao tenho a minima tolerância para com as idéias das pessoas que me rodeiam, quando vejo que todos conversam sobre isto e até discutem, tentam convencer umas às outras…

Acho que estou entrando em depressão, não vejo sentido algum em nada, e vejo a todos como palhaços brincando num enorme circo, onde as circunstâncias criam as brincadeiras, e o palhaço apenas brinca cada um no seu malabarismo idiota, um rindo do outro, até que um a um vai se apagando, deixando de existir, sem saber porque apareceu no circo para aquela brincadeira de bobos, a fim de divertir ninguém, senão a eles mesmos enquanto durassem e duravam tão pouco, feito bolhas de sabão.

Enquanto se é bolha de sabão é bom imaginar que se seja algo mais importante… que quando se estourar a bolha, algo da bolha subirá ao céu e começará então a verdadeira existência.

Que coisa besta, todos tateando no escuro, e eu que nunca me importei em cogitar sobre estas coisas, agora estou perturbada com a paranóia das pessoas em procurarem respostas que nunca terão. Elas me incomodam pela estupidez de acharem que a vida pode ser algo mais que esta merreca que estou vendo.

FIM

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