Concepções de um deus
* by Edemilson, alguém mais sarcástico do q eu, mas uma prova d q 2 pontos distintos podem se cruzar, questão de lógica a partir de pontos dististos.
“Hoje em dia as pessoas tem sua própria concepção de Deus, o seu deus pessoal. Não acho que seja saudável. Psicológicamente me sinto muito melhor agora do que quando acreditava. Antes eu atribuía acasos de falta de sorte à ação de Deus, bem como aos acasos de muita sorte. Eu não via que muitas coisas estão sujeitas apenas às minhas próprias escolhas e que se dão certo ou não, a responsabilidade é somente minha. Não há um deus lá em cima com tempo integral e exclusivo para cada um de nós.
Quem acredita, sempre se acha um predileto de Deus, pois passa por tantas agruras na vida, que o fazem pensar que isso são testes para purificá-lo. Ledo engano. Coisas boas e coisas ruins acontecem pra todo mundo.
O deus pessoal que cada um exercita em seu pensamento é um reflexo idealizado de si mesmo. É como o amigo invisível que as crianças mais solitárias imaginam para lhes fazer companhia. Um amigo perfeito, muito forte e inteligente, que lhe conhece melhor do que você mesmo, que lhe ampara sempre que você precisa ou lhe corrige quando necessário, que derruba os seus inimigos, etc. Quer amigo melhor do que este?
Quando nada do que você espera que Ele lhe faça acontece, a única resposta que você pode supôr à negativa dos seus pedidos é que você não foi digno o bastante… Você então se sente infeliz por não ter sido atendido e por não estar à altura (sou uma droga mesmo, você conclui). Isso é extremamente depressivo e, portanto, não é saudável. Tem gente que até se auto flagela por isso.
Por outro lado, se você encara a realidade sem a existência de um deus para ampará-lo, você no começo sente-se só, sem um apoio, mas com o tempo você vai ficando mais forte, pois começa a entender a real natureza das coisas. Ao ver o mundo sem a regência de mãos invisíveis, tudo fica menos misterioso e faz mais sentido.
Desenvolvendo um pensamento crítico, você passa a não perder mais tempo com muita coisa, dedicando-se mais à você mesmo. E tempo é a principal coisa que o dinheiro não pode comprar. Uma vez perdido, já era.”
Ivan Carlos é consultor especializado em tecnologia e segurança da informação, gestão de riscos e continuidade de negócios. Especialista em engenharia social e beta tester pela Microsoft Connect entre outros projetos, também escreve para alguns sites de tecnologia e desenvolve estudos diversos de bioquímica, crenças, neurociências e comportamento.
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