Anti “pró ana” e anti “pró mia”

Nada contra anoréxicos e anoréxicas, ou contra outros distúrbios que levem a bulimia, mas convenhamos, tentar convencer o MUNDO (leia-se público leigo, ou seja, estamos falando de mais de 90% do mundo) que isso é BOM, dói.

20% das anoréxicas (estou tratando no feminino pois a grande maioria é mulher) não chegam aos 20 anos. Entre as sobreviventes, ao menos 3% cometem suicídio. Muitas que não o fazem, tentam.

Eu deixei de ouvir gritos silenciosos para passar a ouvir corações parando, células dilaceradas. Vomitar (ou miar, como elas costumam tratar de suas atividades) bílis não é, além de agradável, saudável. Deixei de ouvir preces e rumores para ouvir tilintares de lâminas caindo, estão tentando cortar seus próprios pulsos?

Meu começo de ano foi conturbado, graças a mentiras e ao meu projeto de “tradução”, pela primeira e ÚNICA vez na vida eu destrinchei o que alguém diria como sigilo absoluto. Não bastara ouvir seus parentes. Tive de provar, testaste se matar por tanto tempo… espero que esteja bem, mas desejar “morrer com isso” realmente não te levará a lugar nenhum fora as dores que já carrega, justificados por mentiras insípidas engolidas por tantos outros…

Desejo NUNCA MAIS precisar aplicar engenharia social fora do âmbito corporativo. A menos de 1 semana após o reveillon eu disse ao DooMAGE que nunca o teria feito, pouco tempo depois alguém com uma capa prata grampeara telefones na Vila Guilherme. Nada educativo.

Hoje conheci uma moça, que aos 25 anos continua arrastando este distúrbio. Alguém como tantas outras pessoas, eu diria, e absolutamente nada contra, desde que não minta para mim (tenho repulsão fervorosa a mentiras), mas o que pude ver é uma adoração a suas condições, instigando e promovendo-se como “pró ana” e “pró mia”.

Acredito que já temos mortes suficientes por demais causas para instigar um colapso de saúde de outrém! Gostaria de pedir que se dedique a combater a superpopulação mundial se for esta a intenção, instruir moradores de rua a evitar filhos quando não se tem condição de criá-los, ensinar sobre prevenção a AIDS, entre outras melhorias de impacto direto a qualidade de vida, e não se preocupar em se manter abaixo dos 46 kilos, considerando que possui mais de 1,60m de altura!

Fora o aspecto nada agradável de um esqueleto ambulante em formato SUPER DEFORMED (Ou Chibi, um estilo de caricatura japonesa onde é apresentado corpos pequeninos sustentando enormes cabeças redondas ou ossudas) suas condições vitais trazem vertigens constantes e uma fraqueza lamentável, que te impede de manter qualquer postura de defesa. Com a inutilização de parte de sua metabolização, sobra oxigênio para desempenho físico, em partes. Perece em sua própria musculatura, consumida pela falta de vitamina B12 e ferro, entre diversas substâncias ignoradas. Não vou chegar ao ponto de imaginar a bizarrice de um anoréxico copulando, ou 2, com corpos esqueléticos se trombando por si só.

Entre as dicas “pró anorexia” aparecem bizarrices como:

“Coma em frente ao espelho”
“Disfarça a descoloração da pele debaixo das unhas por falta de nutrientes com verniz de cor”
“Limpa alguma coisa nojenta, de certeza que vais perder o apetite
“Se tiver um ataque de comer compulsivo, mastiga a comida e cospe a seguir
“Use a imaginação. Imagine como será a comida no estômago e como a gordura será formada (eca)”
“Obesidade é horrível e gordos são inúteis lembre-se disso
“Quando sentires dores de estômago da fome, curve-se e encolha a barriga. Pelo menos para mim funciona.”
“Tente comer algo calórico, mas saudável, (ex.: uma banana) logo de manhã. O resto do dia sempre que te sentir tentado(a) a comer pense nas calorias que já comeu e que mais comida não será necessário.”

…e uma frase que tive que ouvir as 2 da madrugada: “Se você não é magra, você não é atraente.”
…respondi: “Beleza ignorante não é atraente, e esqueletos tampouco são.”

Como esta fonte, achei ao menos 300 sites promovendo um distúrbio!
Fica então o testemunho de uma ex anoréxica.

…ainda existem pessoas que não sabem dizer o por que de estar “sempre cansada de tudo”…


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9 respostas para “Anti “pró ana” e anti “pró mia””

  1. tabata disse:

    Olá,amei esta matéria,mas confeço que estou bem acima do peso,e já pratiquei ana e mia,mas logo em seguida me vinha um sentimento de culpa terrível,pensava em todos ao meu redor,lembrava que á pessoas que morrem por falta de um prato de comida,então parei pois,não é justo tratar a comida como um monstro,sendo que,se todos os alimentos que são jogados fora pelas “pro ana mia”alimentariam inúmeras familias e livrariam crianças e adultos da morte por culpa da fome!! Gostaria de receber ajuda para emagrecer,tenho1,56 e peso 72 quilos.Desde já agradeço,este site serve como alerta para todas as pessoas que estão se matando aos poucos por culpa da “ana e mia”.

  2. ana disse:

    A materia foi muita boa mesmo
    mais temos que pensar que a maioria dessas meninas não faz isso por modismo e sim por doença, sinto que não devemos julga-las e sim trata-las, entendo perfeitamente o que elas sente e pensam e vou te fazer uma critica, aquilo que você chamou de “bizarrices”´são formas que elas usam como meio de vida e de sobrevivencia, não são bizarrices são o que elas buscam como havia dito isso antes é uma doença e devemos repeita-la, quero ve o ser humano que não tenha nenhuma “bizarrice”
    mais em suma seu blog esta muito bom com otimos assuntos!

  3. Ana disse:

    Quem tem anorexia vive numa prisão silenciosa, enclausurada, da qual é muito difícil se libertar. Por muitos esforços da equipa de profissionais de saúde especializados em comportamento alimentar, é extremamente difícil a libertação, e levar em frente uma vida dita “normal”, da pequenos passos que para outros fazem parte do seu dia-a-dia, para nós e digo nós (porque somos muitas anorécticas, e cada vez mais!!!). Nunca segui conceitos de beleza, quis ser como uma modelo, o problema não está aí. A distorção corporal existe, e não conseguimos encarar a realidade como ela é, verdadeiramente. Muitos anos de sofrimento pasaram, a vida passa por nós e não damos conta, muitos que nos amam sofrem em silêncio, sempre atentos ao que se passa. Mas, os sentimentos não se soltam, os problemas acumulam-se cá dentro, e cria-se gordura interior, que é demonstrada pela ausência de gordura exterior. É a forma mais evidente, e torna-se agressiva aos olhos dos outros, o nosso corpo magrémimo. Mas … continuamos nesta teia de emoções, de fantasmas que nos assombram, e não conseguimos ter controlo sobre nada do que se passa à nossa volta. O único controlo que temos é sobre o nosso corpo, que emagrece cada vez mais, porque estabelecemos metas, controlamos o peso, a comida, a balança, as calorias. Usamos mil e um estrategemas para os outros não se aperceberem que não comemos, mas isso vesse porque cada ficamos mais magras, e quanto mais se emagrece, mais se quer emagrecer. É verdade, tornamo-nos mentirosas, mas quem se está a enganar com este rol de mentiras somos nós. Não mentimos com intenção de ofender os outros, mas para continuarmos a controlar alguma coisa. E digo, eu não gosto de mentiras, e quando não cumpro com alguma coisa, digo à médica, à terapeuta, à dietista, que ao fim ao cabo estão lá para nos ajudar, mas não temos a capacidade de ver isso. Falo por experiência própria, e não me condenem por favor, sofro há muitos anos, e não me consigo livrar da anorexia, porque no fundo emagreço, e volto a ter um peso normal, revolto-me por isso por julgo que é uma imposição, porque a comida que querem que eu coma eu não consigo comê-la, e acho isto tudo desmedido. Conheço a minha situação tudo o que passei ao longo destes anos todos, e conheço muitas raparigas muito novas até pessoas que já têm netos, de 50/60 anos. Há mesmo quem desista de viver, ou pelo suicídio, ou porque não quer desistir da anorexia que é uma morte lenta e silenciosa, há quem tente a auto-mutilação como alivio do seu sofrimento. Ninguém consegue compreender isto, só quem lida com estas situações quase diáriamente é que consegue entender.
    Fui sempre seguida no particular, mudava de médico para médico, não havia uma psicoterapeuta que incidisse nestas questões do comportamento alimentar, cheguei a deixar de falar, a ficar com partes dos corpos paralisadas, muitas vezes, ou na maioria das vezes, caminho e a minha postura é rigída, braços flectidos sem os mexer, olhar fixo, corpo que agride quem está à minha volta. Utilizei muitas vezes a auto-mutilazação, porque o desespero era tanto, que não aguentava mais o sofrimento. Mas, esse alivio é ilusório, muito passageiro, e depois o que vem a seguir são as dores fisícas, e as marcas deixadas no corpo que ficam para sempre. Quem é que entende isto? Nós, este grupo que se envolve nesta doença, e da qual tenta sair, e muitas conseguem, outras decidem ser assim para o resto das suas vidas. Vi mulheres a morrer, depois de tantas tentativas que toda a equipa do Hospital fez para que recuperasse. E não são pessoas com pouca idade, sim há quem morra muito nova, mas muitas duram muitos anos, e só vão às consultas, e são internadas compulsivamente, porque os familiares assim o exigem. A certa altura, e já passaram uns anos, comecei a ser acompanhada no Hospital Público, com equipas especializadas para este tipo de comportamentos. Mas, a médica nada consegui fazer de mim, e eu também não compreendia o acompanhamento. O mais importante era a psicoterapia que não pude ter no Hospital, e teve que ser no particular, mas chegou a um ponto, e era cada vez mais visível, que não estava a recuperar em nada. A terapia já passava pelo que acontecia no dia-a-dia, que é o que as anorécticas sabem falar, só do que se passa do “pescoço para cima”. Até que fui ter às urgências em paragem cardíaca, e no Hospital permaneci internada em 3 serviços, a lutarem pela minha sobrevivência. Mas, a consciência do que eu fiz a mim e aos outros, não a tive, só passado 2 anos é que me apercebi do que se passou. E depois disso, mais internamentos tive. E voltava a cair. Agora, saída de mais um internamento, estou a perder peso, e … Porque é que eu emagreço? Não sei responder, está tudo dentro da minha cabeça. E, agora tenho uma Terapeuta fantástica, que faz braço de ferro com muitos conhecimentos e experiência, que trabalha comigo muito bem, mas acho que estou num beco sem saída. Porque os problemas se acumulam mais aos do passado, não sei falar do que sinto, e não consigo cumprir com a alimentação adequada, falho sempre em alguma coisa. Não me livro dos medos, quero viver!!! E por muitas tentativas que faço,acabam por falhar. Uma sessão por semana é muito pouco, e estou a precisar de mais ajuda, quero ser ajudada, quer mudar, não quero prejudicar mais a minha vida nem a dos outros. Luto contra a anorexia, ou melhor estou é a lutar contra mim, e não faço bloco contra a anorexia que é muito rigída.
    Entretanto perdi-me no que estava a escrever, e queria dizer uma coisa, fiz imensas tentativas de suicídio com comprimidos, até que chegou um dia que comecei a enganar todos, deixei de comer, escondi-me, comia muito esporádicamente, passei um mês e meio sem comer, bebia cola zero … e tomava laxantes que me baixou o potássio, esqueci-me de beber água, fiquei desidratada, muitos valores do sangue baixaram drásticamente importantes para a nossa sobrevivência. Com estes anos em que tenho esta doença, tenho doenças crónicas em muitos orgãos que são irreversíveis. Neste momento, mesmo comendo estou desnutrida, e é um problema que leva tempo a resolver.
    Espero ter dado algum contributo da experiência de uma anoréctica, que está em contacto com outras anorécticas, e mais de perto 24h sobre 24h, no Hospital, sustentavamos o sofrimento umas das outras. Não nos critiquem, ajudem-nos!!!!

  4. ana disse:

    A pessoas acham , que nós somente nos importamos em emgracer, quando isso é errado. EU nunca me machucaria desse jeito só pra emagrecer. Bem, no inicio é só isso que eu queria, emagrecer, cuidar da minha saude alimentar, pra da rum bom exemplo pro meu pai que é obeso e diabético, e com o tempo isso nao era o suficiente. E eu decorei as calorias dos alimentos. E eu faço exercicios em demasia, e eu vomito em demasia. Não rpeciso mais forçar meu corpo pede. Mas eu me ‘controlo’ quanto a isso. Não vomito tudo o que como, apesar de smeprer querer fazer isso, não o faço. Geralmente, isso acontece quando meus dias são mais pesados , ou quando tenho brigas em casa, ou no colégio. é uma coisa involuntaria que tomou conta de mim, não me preocupo em estar abaixo dos 46, quase nao me peso.
    Diferente do que deu a entender com o texto, não anorexicas não sao vazias, temos objetivos como qualuqer pessoa tem , mas temos problemas um pouco mais grave do que o das pessoas ‘normais’ . Se assim nós nos matamos, é porque não mais temos forças para viver; e vocês ao invez de nos ajudarem, nos criticam. Nos colocam como as imbecis, quando no fundo vocês que são os imbecis, pois vêem nossa dor e não nos salvam dela; e sim nos criticam por tê-la !

  5. Ivan Carlos disse:

    Leia meu primeiro parágrafo: “Nada contra anoréxicos e anoréxicas, ou contra outros distúrbios que levem a bulimia, mas convenhamos, tentar convencer o MUNDO que isso é BOM, dói.”

    Este texto foi publicado em 2007, após uma longa luta tentando ajudar quem sofria deste transtorno. Não estou a julgando por ser assim, mas julgando quem dissemina essa informação como se fosse algo bom para você.

    Beijos

  6. anne disse:

    Mto bom.
    Estou totalmente ao seu favor!!

  7. Natalia disse:

    Parabens.. concordo com TUDO o que voce disse.. e mais ainda, acho que esses sites “Pro Ana” e “Pro Mia” deveriam sair do ar, deveria ser crime algm dar dicas de como “se matar” para pessoas que estao sofrendo problemas serios.. ficar sem comer? e SE comer , comer uma banana por dia ? .. é triste :/ parabens de verdade

  8. Letícia disse:

    Eu concordo com tudo que vc disse. Sou magra mas NUNCA recorri à Ana muito menos à Mia. Não gosto de ser magra assim, tento comer mas não consigo… e quando me sinto mal por não conseguir engordar entro em blogs pro AnaMia e fico tão chocada em ver tudo que essas meninas fazem para chegar ao que elas chamam de perfeição. Poemas, dicas, experiências que só me dão mais força para comer isso sim, não para o que elas querem que é emagrecer. Borboletas no estômago? Fala sério, tenho 20 anos, 1,63m e 46k. Não gosto de ser magra…!!!!

  9. Letícia disse:

    Se alguém souber de algum blog ou site dedicado a falar sobre ‘anti pro AnaMia” por favor mande-me por e-mail arquitetura_ugf@hotmail.com .

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