por Fabricio Calado - Direto de São Paulo
Se Deus não existe, tudo é permitido? Não se você quiser anunciar a inexistência Dele no espaço para publicidade do Metrô de São Paulo. Ao menos, é o que diz a Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea), que teve a idéia inspirada em iniciativa semelhante feita nos ônibus da Europa.
“O Metrô proíbe anúncios como o nosso”, explica o engenheiro Daniel Sottomaior, 37 anos, presidente da Atea. O item 20-a do capítulo VI do regulmento de publicidade no Metrô veta propagandas “que possuam assuntos polêmicos, temas de cunho religioso (…) que possam prejudicar a imagem da companhia e suscitar comportamentos inadequados”. Além da restrição publicitária, ter que pôr a mão no bolso para abrir os olhos dos religiosos também pesa, diz Sottomaior. “Aqui no Brasil, o custo do anúncio só é minúsculo se você comparar nossos recursos com os dos nossos concorrentes, a Igreja”, brinca o engenheiro.
Se o Metrô for descartado, a Atea verá a possibilidade de anunciar em ônibus, como foi feito na Europa – e saiu “extremamente caro”, destaca o dirigente da associação atéia no Brasil.
Enquanto isso, os ateus já traçam outros planos. Um deles é o Dia do Orgulho Ateu, a ser comemorado em 12 de fevereiro, data do nascimento do naturalista britânico Charles Darwin (1809-1882), que invalidou parte do discurso religioso com sua teoria da evolução por meio de seleção natural, no livro “A origem das espécies”, de 1859. O Dia de Darwin é um exemplo até inofensivo comparado à outra alteração proposta pela Atea: o Natal ateu seria comemorado dia 25 de dezembro, com o nome Newtal – referência à possível data de nascimento do cientista inglês Isaac Newton (1643-1727).
Acredite se quiser
Segundo Sottomaior, a idéia de juntar ateus em um sindicato da categoria, por assim dizer, é antiga. “O Brasil tem de 1% a 2% de ateus, mais que judeus e adeptos da umbanda e candomblé juntos. Se a gente conseguir reunir 10% desse 1%, seriam 190 mil ateus”, afirma ele. A estimativa é baseada em números ‘escanteados’ pelo IBGE na hora de mapear a religião dos brasileiros.
Se alguém botar fé no que diz o dirigente ateu, a associação ainda tem uma longa via-crúcis a percorrer. Atualmente, a Atea tem 155 membros, e outros 30 no aguardo de aprovação. O cadastro é feito no site da associação, www.atea.org.br. Segundo o presidente, o associado pode escolher se contribui com dinheiro.
A nova minoria
Um dos motes da campanha da Atea é “saindo do armário”. Qualquer coincidência com a bandeira do movimento LGBT é 100% intencional.
“Usamos muitas analogias do movimento gay porque muitos deles acham que são a última minoria, mas somos nós. Os homossexuais já conseguiram seu lugar ao sol”, explica Sottomaior. Ainda hoje, ele se enfurece ao ouvir o comentário-padrão “isso é coisa de quem não tem Deus no coração” quando alguém comete uma monstruosidade. “Já tentei fazer representação contra isso no Ministério Público, mas não me deram bola”, lastima.
Por isso, o objetivo-mor da Atea é conseguir espaço na sociedade. Pode ser até um representante no Congresso. “Ele poderia propor projetos relativos ao ateísmo. Seria difícil ser aprovado, mas pelo menos traria a discussão”, acredita Sottomaior.
Como disse Clodovil sobre o Orgulho Gay: “Orgulho de que?”
Como ateu eu não posso acreditar ( Ateus não acreditam mesmo!) nestas idéias estapafúrdias. Um movimento para divulgar o ateísmo? Para Mostrar o mal que o pensamento mágico e religioso pode causar? Tudo bem. Mas Orgulho Ateu? Só para ser a ultima minoria? Meio sem noção, não?
Parece meu irmão. Ele adorava uma certa rádio pouco conhecida porque sempre tocava novidades legais. Em um certo momento, a rádio passou a ficar mais popular, justamente porque lançava novidades legais. E meu irmão deixou de gostar dela. Isso é gostar de ser minoria!
E eu que pensava que era bom em piadas… =D
http://www.piada.net
Particularmente falando, também acho sem propósito ou fundamento esse “dia do orgulho ateu”, mas a verdade é que os ateus são massacrados por toda base religiosa, inclusive com seus devidas representações no governo, o que acaba gerando uma discriminação massiva contra quem se opor a eles, ao menos nesse ponto, acredito que seja válida a intenção da ATEA (embora eu não concorde inclusive com o nome desse grupo).
É verdade mesmo, nós ateus sofremos certo preconceito mesmo. As pessoas acham um absurdo nós não acreditarmos em deus; e o incrível é que essa história de deus e ‘entidades’ é que deveria ser considerada algo estrambótico. Para mim deus é ‘Papai Noel pra gente grande’. Quando se é criança, crê-se em Papai Noel, depois, quando chega a idade adulta, a ordem é acreditar em deus. Mas as pessoas mesmo, voluntariamente, querem acreditar nessas coisas para servi-lhes de conforto, mesmo que essas coisas seja bem estúpidas…
Serial Fucker