Arquivo

Arquivo de março, 2009

O teimoso fim do DRM

25 de março de 2009 Sem comentários

Venho a  um bom tempo falando sobre DRM (digital rights management - gestão de direitos digitais), com empresas distribuidoras de conteúdo digital, mas eles insistem. A Ubisoft reconheceu seu erro e removeu o DRM de alguns títulos de jogos antigos, a Rockstar embora não tenha amolecido, ao menos tem prestado suporte sobre o caso, o iTunes também está distribuindo músicas sem DRM a algum tempo… mas nem tudo é um mar de rosas.

A Eletronic Arts, teimosa como sempre, ainda não entendeu que DRM é mal. “Enfiou” um rootkit garganta abaixo de seus consumidores, limitaram a instalação de títulos, e continuam fazendo. Outras empresas como a Zuxxez entenderam o quão DRM é prejudicial, o abandonaram, mas não se importam com seus clientes que ainda enfrentam problemas por causa disso. Serviços cretinos como o Sonora, uma versão nacional do iTunes distribuído pelo Terra, dispensa comentários, além de usar DRM. Seja como for, DRM é inútil.

Colocar DRM em uma trilha de música ou título de jogo é a coisa mais estúpida a se fazer. A engenharia reversa, exploração de vulnerabilidades e a cultura do ser humano nos leva a sermos práticos, e sempre será, não há sequer 1 título no mundo inteiro com DRM que não tenha sido violado, modificado, e distribuido sem proteções. Não quer que distribuiam sua obra ilegalmente? Mostre as vantagens de fazê-lo legalmente! Não quer ver sua obra pirateada? Existem N meios melhores e certamente mais eficazes de distribuir conteúdo digital sem problemas! Mas instalar aplicações escondidas no computador do usuário ou controlar o número de vezes que ele pode abrir ou instalar algo definitivamente não é o melhor meio.

Criador de World of Goo critica uso de softwares de DRM

Em uma palestra durante a GDC, o criador de World of Goo, Ron Carmel, falou sobre o que pensa sobre a idéia de proteger jogos de PC com softwares de DRM, que prometem evitar a pirataria. Sensato, Carmel disse que as empresas que tentaram isso apenas desperdiçaram seu dinheiro. Para ele, qualquer coisa que seja interessante será crackeada, e a versão pirata será mais confortável para o usuário, já que ele não precisará inserir gigantescos números de série ou se preocupar com algum limite do número de vezes que seu jogo poderá ser instalado.

“Qualquer um que quiser o jogo irá encontrá-lo em sites de BitTorrent”, disse ele ao site GameSpot. “Estará crackeado, mesmo com o DRM, e estará disponível tão rapidamente que eu não vejo o ponto em ter DRM”, ponderou

Camel também aproveitou para dar dicas aos produtores independentes de jogos. Ele alertou para que eles não se preocupassem em vender seus produtos em lojas, na mídia física. Para ele, produtoras independentes vendem melhor se bancarem sua própria distribuição, através de distribuição digital.

Ao mesmo tempo, o antipático (e cri-cri) co-fundador da VALVe, Gabe Newell, lembrou que o Steamworks faz do DRM um sistema obsoleto (como se alguma vez serviu para alguma coisa).

…por causa do DRM, meu Babylon não para de gritar comigo dizendo que estou usando mais licenças do que eu tenho, levando em consideração que eu sempre desinstalo o software de um hardware antigo antes de instalá-lo em um novo, e meu jogo Earth 2160 não instala pois o servidor que controla o DRM desse título foi… simplesmente… desligado. Alguém aqui fala alemão fluentemente?

Categories: Empresas, Pessoal

Pelo direito de não acreditar em Deus

6 de março de 2009 21 comentários

publicado no Jornal da Tarde.

O professor de Biologia Silvestre Viana, de 26 anos, sempre se sentiu diferente. Tentava seguir os costumes. Mas algo não se encaixava. Quando descobriu o que era, relutou até assumir sua condição. Era ateu. Perdeu o emprego, amigos. Até brigou com a família. “Por não acreditar em Deus, pararam de confiar em mim.”

Viana é parte de uma minoria que sofria sozinho o preconceito. Sofria. Em dezembro, foi criada a Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea) para dar suporte aos que não creem em Deus, divulgar valores seculares, garantir o Estado laico e incentivar os descrentes a “sair do armário”.

“Eles precisam de alguém que apoie, dê a cara, lute contra o preconceito”, diz Daniel Sottomaior, presidente da Atea. Tarefa árdua: os ateus são o grupo mais rejeitado pelos brasileiros (veja abaixo). Mesmo assim, a associação, criada a partir de fóruns na internet, tem 371 sócios e arrecadou R$ 7.000, marcando a chegada do “novo ateísmo” ao país.

O movimento contesta as crenças religiosas e prega ativamente a ciência como única explicação para tudo. Surgiu como reação ao recrudescimento do fundamentalismo religioso, intensificado após os atentados de 11 de setembro de 2001, nos EUA. Para a historiadora da Unicamp Eliane Moura, os religiosos passaram a incomodar ao contestar a laicidade do Estado e o avanço da ciência:

“O que não era contestado passou a ser questionado e conquistas importantes, como o domínio das células-tronco, foram barradas.”

Na ação mais polêmica até agora, ônibus de Londres e Barcelona circularam com frases como “Provavelmente, Deus não existe”. A campanha publicitária, intensamente criticada por religiosos, foi proibida na Itália. No Brasil, a Atea teve dificuldade em sua primeira tentativa, pois uma norma do Metrô de São Paulo veta propagandas “de cunho religioso”.

O grupo passou para os ônibus, mas o pedido foi recusado por uma empresa que quis “evitar polêmicas”. Resistência compreensível num país onde 93% da população diz ter religião, segundo o IBGE. Mesmo entre os 7% restantes, há muitos acreditam em Deus.

Além de incluir os ateus no censo – para saber quantos existem no país - a Atea quer instituir o Dia do Orgulho Ateu. A preferência é por 12 de fevereiro, quando nasceu Charles Darwin, cientista que consideram quase um deus. 

Este ano comemoram-se os 200 anos do nascimento do britânico que contestou a teoria criacionista (Deus criou o mundo e tudo que nele vive) com a evolucionista – o homem é resultado de milhões de anos de seleção de espécies.

“Todos têm direito de se organizar, mas acho paradoxal eles trabalharem da maneira que condenam nos outros”, diz Cleverson de Almeida, diretor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, que ensina criacionismo e evolucionismo nas aulas. “Essa campanha me parece anacrônica, porque hoje se tem liberdade total”, diz o padre José Oscar Beozzo, teólogo e historiador. “Mas o mesmo direito que temos de professar a fé eles têm de não professar.” Amém.

Rejeitados

O grupo social mais intolerado do Brasil é o ateu. A conclusão é de uma pesquisa feita em 2008 pelas fundações Perseu Abramo e Rosa Luxemburgo para medir o preconceito contra gays.

Perguntados sobre o que sentiam quando encontravam um ateu, 17% dos 2.014 entrevistados disseram repulsa ou ódio e 25%, antipatia.

É o maior índice de aversão dos 28 grupos étnicos e sociais arrolados, empate técnico com usuários de drogas. Os garotos de programa e transexuais vêm em 2º.

“Fui despedido por ser ateu” - Silvestre Viana, 26 anos, professor de biologia e ateu.

Como você se tornou ateu?

Silvestre Viana: Fui criado como católico, mas sempre questionei a Igreja. Fui para outras religiões. Espírita, evangélica, até que comecei a estudar biologia. Não consegui conciliar e escolhi a ciência. Tinha 19 anos.

Como foi?

SV: Não tinha como assumir imediatamente. As pessoas te olham de jeito diferente. Você sente medo da rejeição da família. Aqui na Bahia, para se expressar como ateu, tem que ter raça, é lenha. Em São Paulo, tem uma galera de mente mais aberta. Por isso fiquei no armário. Preferi amadurecer a ideia.

E quando contou?

SV: Há cinco anos para os amigos e para minha mulher. E há quatro pros meus pais. Discuti muito. Meus amigos Testemunhas de Jeová não falam mais comigo. Nas reuniões de família eram 20 pessoas dizendo que eu estava errado. 

E no trabalho?

SV: Eu estava num debate na escola que dava aula, no ensino médio, no interior da Bahia. Defendia o evolucionismo e um seminarista, o criacionismo. Eu assumi. O debate acabou e o ano letivo terminou. A diretora me mandou embora. Falou: “onde meus alunos vão chegar com um professor ateu?”

Categories: Crenças

Exortação aos Ateus

6 de março de 2009 Sem comentários

por Ademir Borsanelli, aqui:

Já que os Cristãos, Teístas e Adjacentes não se cansam de escrever textos exortando as maravilhas de suas vidas impregnadas de fé, vou também fazer a minha parte:

Feliz aquele que vive sua vida honestamente, pelo simples fato de saber que essa é a forma correta , sem a exigência de recompensas ou medo de castigos eternos.

Feliz aquele que tem a certeza de que após sua morte, restarão apenas seus atos, que, por mais insignificantes que possam parecer, decidirão o futuro de muitos.

Feliz aquele que acredita na ciência como o caminho possível de adquirir conhecimentos que ajudarão a desvendar mistérios naturais e facilitar a vida do próximo.

Feliz aquele que não teme a escuridão e a vê como apenas falta de luz e não como um esconderijo de fantasmas.

Feliz aquele que adquiriu a maioridade intelectual e não precisa se apoiar num pai eternamente castrador e punitivo.

Feliz aquele que sabe que o maior tesouro da humanidade é a liberdade de escolher o rumo de seus pensamentos e imaginação.

Feliz aquele que tem a humildade de se colocar ao lado de todos os outros animais que convivem no mesmo planeta.

Feliz aquele que conseguiu se libertar dos fantasmas que povoaram as mentes dos nossos antepassados , mas não os condena por isso…

Feliz aquele que reconhece que seu corpo pertence apenas ao Universo, berço de toda manifestação física e estará para sempre contido nele.

Feliz aquele que desistiu de perseguir e condenar o próximo porque o mesmo não se coaduna com suas fantasias.

Feliz aquele que não é obrigado por convenções a fingir que vê o que não existe.

Feliz aquele que presta justa homenagem a todos os ancestrais, reconhecendo as incertezas e dificuldades que nos trouxeram até este ponto de evolução.

Feliz aquele que encontrou a paz da simplicidade das coisas simples.

Seja feliz, ateu! Não há nenhum inferno te esperando e a inexistência da consciência individual é justamente o paraíso que tanto os teístas procuram.

Nós estamos um passo além deles.

Categories: Crenças

Dicas para localizar perfis falsos no Orkut

6 de março de 2009 2 comentários

Vou dar agora algumas aulinhas de engenharia social.

Sou dono de 3 comunidades no Orkut, sendo uma referente a corrida – “Just Run!” (comumente citadas em revistas e blogs do ramo), uma referente a redes de computadores (premiada como uma das 10 melhores comunidades de TI pela revista Info) e uma referente a plataforma de jogos Steam (a única autorizada sobre o assunto).

Notei que algumas vezes o número de inscritos nestas comunidades crescem subitamente… e buscando mais informações sobre essa massa de novos usuários, notei que uma parte significante deles são… perfis falsos, em alguns casos inclusive admitindo que se trata de um perfil falso em algum debate da comunidade, talvez por vergonha de não ter suas dúvidas e comentários expostos no Orkut usando seu perfil verdadeiro.

Vamos as dicas:

- O criador do perfil falso quer, acima de tudo, que o perfil não seja apontado por outras pessoas, portanto você não verá nas fotos do perfil com o suposto usuário ao lado de amigos, normalmente ele está sozinho;
- Para atrair mais usuários, normalmente as fotos são bonitas, algumas fotos são normalmente sensuais; 
- O perfil falso, em prativamente todos os casos, possui um link para alguma comunidade ou website em seu perfil;
- A grande maioria dos seus amigos são do sexo oposto;
- Normalmente o suposto usuário demonstra ser jovem, estudante colegial ou universitário, raramente envolvido a alguma atividade profissional;
- …e o suposto nome do usuário normalmente não condiz com o nome da pessoa que aparece em seu álbum de fotos.

Notem que um perfil falso não é a mesma coisa que um perfil clonado, eles possuem objetivos diferentes.

Categories: Pessoal
Better Tag Cloud