Este é um dos maiores problemas da revolução desencadeada na web 2.0. Os comentaristas de comentários.
Não basta mais as milhões de colunas, blogs e editoriais comentando cada passo, gafe ou evento que ocorre no mundo real. Seja sobre a Susan Boyle no Britain’s Got Talent, sobre a guarda do garoto Sean, sobre o deslizamento de terra em Angra ou sobre os comentários do Boris Casoy sobre os garis, a velocidade da web 2.0 faz com que os comentários aos eventos se tornem desgastados rapidamente, e os alvos de comentários passaram a ser estes, os próprios comentários.
Devido a espontaniedade da rede atual, qualquer evento que ganhe notoriedade, em poucos minutos, ganha um ataque apelidado de cyberbullying (Bullying é um termo inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully ou “valentão”) ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender). O problema é que, devido ao desgaste provocado por este imediatismo, o cyberbullying ganha outro foco, agora voltado aos comentários anteriores. Para ser mais específico, contra aqueles que de alguma forma não concordam com a grande maioria.
Eu não vejo qual o sentido de se comentar um comentário fora do domínio deste comentarista. Se você opina sobre um evento recente, e eu discordo deste evento, deveria eu publicar meu ponto de vista quanto ao evento, e não questionando a opinião do comentarista. Oras, estamos falando de opinião! Se quer debater um comentário, utilize os recursos disponíveis as margens deste comentário, seja seu blog, rede social, whatever, não faz sentido criar um post em seu blog atacando o post de um outro blog ou seus autores que reclamam de um assunto que talvez nem está mais em evidência.
Que utilidade isso tem para seus leitores?
Além de não ajudar sequer a si mesmo, a práticar de gritar no escuro contra comentaristas é ridículo, inútil e só faz perder, além do seu próprio tempo, o daqueles que porventura chegaram a este tentando obter um comentário de sua pessoa em relação ao evento, e não em relação a outrém que sequer era de interesse público e provavelmente menos evidenciado que sua pessoa.