Divagações sobre pirataria, impostos e censura na cultura brasileira



O Brasil precisa de uma reforma cultural.

Por mais que a expressão acima possa parecer absurda, ainda assim retrata a realidade. A cultura do brasileiro de tirar vantagem sobre qualquer coisa, resolver os problemas caso-a-caso e sua incapacidade de abordar uma solução que envolva problemas sistemáticos como um todo o faz com que seja sempre um país emergente. Aquele que cresce, mas sob inércia. Possui uma economia forte, mas que não inova. Sempre devido a incompetência de gerir seus próprios recursos, a incapacidade de planejar melhorias que impactam positivamente a grupos distintos. O brasileiro nasce com a cultura de que somos todos concorrentes, no pior formato de mercado “ganha-perde”, onde é incapaz de realizar uma oferta sem almejar que a outra parte perca um pouco mais além do necessário.

Pirataria

Já declarei aqui meu descontentamento com o jeitinho brasileiro de tirar vantagem sobre tudo, e por mais que trabalhamos para tentar reverter a situação, sempre aparecem novos analfabetos funcionais inventando novas desculpas estapafúrdias e argumentos estúpidos para justificar suas práticas. A desculpa mais usada para a pirataria foi o preço abusivo do material proprietário, seguido pela falsa idéia de “compartilhar do conhecimento” e pela idéia de que “não estaria prejudicando ninguém”. Sem considerar, claro, da estupidez brasileira em tirar vantagem sobre tudo, da idéia cretina de achar que “seguir a lei é para os trouxas”.

O que mais me assusta nessas pessoas é a incapacidade de atingir seu alvo, seja lá qual for seu protesto. Uma vez, um ser abissal me disse:

Esse jogo ficou um lixo, vou usar pirata mesmo, não vou pagar 60 dólares nessa merda!

Se o objeto de compra é ruim, por que então consumi-lo? Que tipo de protesto masoquista é esse que morde a cebola por que tem raiva dela? É o mesmo que pular o muro para assistir um show da Claudia Leitte de graça pelo fato de odiar as músicas dela! Outro solta uma pérola dessas:

Eu compraria o DVD original se ele não fosse tão caro! Por que “lá fora” eles pagam 30 dólares e eu tenho que pagar o preço 4 vezes mais caro?

Meu caro estúpido, se você está bravo com o preço cobrado além do valor do produto, obviamente, desconsiderando o frete, deve ser porque o governo colocou trocentos impostos sobre o produto. Este, obviamente, não é o melhor dos conselhos, mas pirateando um produto você não está protestando contra os impostos mas sim prejudicando o produtor. Existem infinitas formas de se comprar produtos importados pagando impostos justos, seja através de compras pequenas utilizando formas de frete sem cobrança de impostos de importação, seja através de compras em formato digital, que só é cobrado o IOF.

Impostos

Falando nisso, é sobre os impostos que entra a imensa incapacidade cultural do brasileiro em olhar para o problema de forma macro e solucioná-lo de uma vez por todas.

O brasileiro, devido a sua própria estupidez, paga impostos por bens primordiais para sua sobrevivência, e os principais bens são o acesso a educação e os recursos médicos. Por que precisamos pagar impostos as escolas? Por que precisamos pagar impostos aos medicamentos? Isso faz algum sentido para você? Me explique, porque não faz qualquer sentido para mim. Se queremos evoluir tecnologicamente, aumentar o produto interno bruto e ser uma nação soberana tecnologicamente capaz de sobreviver sem depender dos países que estão literalmente “se comendo” “lá fora”, por quê precisamos pagar impostos para nos curar e aprender mais? NÃO FAZ SENTIDO.

O brasileiro (note que não estou citando “governo”, uma vez que governantes são brasileiros e qualquer um pode ser político) luta com unhas e dentes contra a evasão de dinheiro do país, luta contra a pirataria, manipula o câmbio como se fosse um joguinho de equilíbrio e… enfia, sem vaselina, impostos goela abaixo na garganta do povo. O argumento do brasileiro político é que devemos incentivar o mercado nacional, o produto criado internamente… este é o mesmo pensamento retrógrado que tínhamos na época da ditadura – e naquela época, estávamos certo. Nós queríamos produzir televisores e automóveis no Brasil, e assim foi feito. Mas os tempos mudaram, o valor deixou de ser material e passou a ser intelectual, nós criamos em um país, mandamos para outro para produção, outro para integração, e ele nos volta fechadinho dentro de uma caixinha mágica. É impossível exigir que demarquemos a região de criação da propriedade intelectual.

Com o pensamento paleozoico que ainda habita a cultura do brasileiro de hoje, enfiamos impostos em mais de 100% sobre os produtos importados. Assim como sustentamos esta cultura arcaica, também sustentamos a cultura “filha da puta” de tirar vantagem sobre os sistemas legislativos. Importamos nos limites da legalidade, ou muitas vezes, no contrabando descarado. E para não “dar na cara”, este mesmo brasileiro embolsa grande parte do valor economizado e repassa internamente o produto com um valor mínimo inferior a concorrência “mais legalizada”.

Com uma tabela de impostos honesta, não-abusiva e pouco excepcional (com poucas exceções), teríamos uma concorrência mais limpa, menos predatória, consequentemente, com maior arrecadação. Abaixo apresento um vídeo do ator Felipe Neto de chamada para participação da campanha #PrecoJusto, disponível no website www.precojustoja.com.br.

Censura

Também já falei aqui algumas vezes sobre censura. O brasileiro, que tem o dom de querer prejudicar o vizinho para obter vantagem, acaba muitas vezes “se perdendo” quando tenta fugir de suas obrigações. Vide estas observações, falei aqui sobre o pseudojornalista Antonio Werneck resolveu usar de seu poder de “disseminar informação”, uma vez que faz parte do seu trabalho, para aplicar seus achismos e obscurantismo sobre determinado assunto em uma matéria publicada em seu nome. O resumo da ópera é que ele lançou um texto na mídia que viola os 3 princípios básicos do jornalismo (honestidade, imparcialidade e veracidade), compactuando com a empresa publicadora – O Globo – que, após diversos protestos, eliminou parte da informação deturpada sem a publicação de uma errata ou qualquer notificação que a matéria foi atualizada.

Pouco tempo depois, ainda sobre o mesmo tema (no caso, jogos eletrônicos), o programa CQC, da Band, fez o mesmo com uma série de entrevistas terrivelmente conduzidas, e por fim, a emissora Record fez o mesmo em um programa sensacionalista típico das noites de domingo, uma espécie de “Fantástico” da Rede Globo.

No vídeo abaixo, o mestre Leon Martins discursa em formato de videolog sobre a matéria da Record tentando depreciar os jogos eletrônicos, vale a pena ver:

(Mais um golpe no) ‘O mercado de jogos

Publicado originalmente aqui.

O mercado de jogos
Por Ivan Carlos em 19/4/2011

O mercado de jogos eletrônicos recebeu mais um golpe neste último sábado (9/4), vítima de um jornalista que adicionou à sua matéria opiniões pessoais em relação a alguns desses jogos. É triste ver a facilidade com que alguns profissionais acabam adicionando opiniões mal formadas sobre assuntos que desconhecem como justificativa para um fato tão delicado e trágico como o que aconteceu em nosso país.

O jornalista Antônio Werneck não esconde seu repúdio em relação aos jogos eletrônicos, de certa forma inexplicável, conforme divulgado em seu perfil no Twitter:

“Se vc não gosta de jogos eletrônicos violentos e armas como as que mataram crianças na @emtassosilveira dê um RT. O país agradece.”

“Prezados @Dulogan e @felipevinha :armas e jogos violentos como o GTA devem ser banidos. Evitariam mortes como na @emtassosilveira e burros.”

“Amigão @felipevinha , com todo respeito: mas considero o jogo GTA uma grande bestialidade. Gostaria que vc tivesse outros interesses.”

Correção não foi esclarecida

Foi nesta linha de pensamento que a matéria “Wellington tinha interlocutor, com quem falava sobre religião e jogos eletrônicos de guerra” foi escrita. Em certa parte do texto, são apresentados fatos que não condizem com a realidade:

“… Os investigadores conseguiram rastrear um blog feito por Wellington, que usava a página na internet para disseminar mensagens desconexas sobre religião e jogos como GTA e Counter Strike (CS), onde o jogador municia a arma com auxílio de um Speed Loader, um carregador rápido para revólveres usado por ele no massacre de alunos na Escola Municipal Tasso da Silveira. Nos dois jogos, acumula mais pontos quem matar mulheres, crianças e idosos.”

Como é sabido – e ambos os jogos estão à venda para quem quiser comprovar – nenhum dos título utiliza esse tipo de equipamento (Speed Loader); tampouco premiam o usuário por matar mulheres, idosos e crianças. Sequer existem esses tipos de personagens nos cenários.

As comunidades de jogadores, com apoio inclusive da Acigames – Associação Comercial, Industrial e Cultural de Games – mandou e-mails aos editores do O Globo e publicou artigos exaustivamente na blogosfera para que dessem o devido tratamento a matéria, que foi editada no início desta segunda-feira (11/4), mais de 48 horas após sua publicação, e sem qualquer nota esclarecendo a correção tampouco informando que esta foi feita.

Leia também

http://www.acigames.com.br/2011/04/gamefobia-como-ignorar-mazelas-sociais-e-a-pequenez-humana/

http://www.kotaku.com.br/conteudo/como-distorcer-fatos-e-influenciar-pessoas-usando-gta-e-counter-strike/

http://regames.wordpress.com/2011/04/10/o-globo-e-a-tragedia-em-realengo-uma-carta-de-repudio-a-doutrinacao-e-a-falta-de-etica/

http://gamehall.uol.com.br/gamesgeral/2011/04/10/tragedia-rio-e-culpa-dos-games/

http://www.nintendoblast.com.br/2011/04/e-os-videogames-viram-o-vilao-mais-uma.html

http://www.gamevicio.com.br/i/noticias/76/76236-a-imprenssa-tentando-colocar-culpa-nos-jogos/

Uma péssima experiência com a NET

Sou cliente da NET, ou era, solicitei o cancelamento hoje. O que conto aqui é um breve resumo do que já passei com essa empresa. Contratei a NET no final de 2007, na esperança de receber um serviço que me entregasse internet e tv por assinatura através do mesmo cabo de transmissão.

De fato, o serviço foi entregue como esperado. Eu recebi 3 pontos de tv digital e 1 ponto de internet Vírtua.

Após alguns meses, o primeiro problema com a empresa, a franquia:

O problema de franquia na NET é extremamente abusiva. Ao contratar um plano de, por exemplo, 20mbps (o que eu tenho atualmente), eles lhe aplicam uma franquia máxima de transferência. Uma vez ultrapassada esta franquia, sua velocidade é reduzida.

O ponto em questão não é a existência da franquia em si, entendo que a existência de uma franquia é útil para garantir o funcionamento de um ambiente deste porte, assegurando sua qualidade e velocidade. O problema é que esta franquia é tão limitadora que foge completamente do lema do serviço, que diz “você pode navegar a qualquer hora em alta velocidade da internet”.

Fazendo os cálculos na ponta do lápis, descobri que se você utilizar esta conexão de internet em alta velocidade, em sua capacidade máxima, por menos de metade do dia, você já consome toda a franquia oferecida por ele.

O meu plano de 20 mbps possui uma franquia de 100 GB, conforme especificado no site da empresa, calculamos:

20 mbps me permitem uma taxa de download de 2,5 MBps (20 mb / 8 bits)
2,5 MBps, em 1 minuto, faz 150 MB de download
2,5 MBps, em 1 hora, faz 9000 MB de download, ou 8,7890625 GB
2,5 MBps, em 12 horas, faz 108000 MB de download, ou 105,46875 GB

Resumindo, para um contrato de 20 mbps, como o meu, em menos de 12 horas consumindo a internet em alta velocidade, você já consumiu toda a franquia oferecida e sua velocidade será reduzida pela empresa prestadora para a menor velocidade oferecida, segundo as cláusulas contratuais!

Detalhe: A menor velocidade oferecida em seus comerciais de TV seriam de “1 Mega” (1 mbps), porém, eles reduzem sua velocidade a 100 kbps!

O lema deste serviço deveria ser: “Assine Net Vírtua! Pague por mês e navegue por metade de 1 dia!”

Ao meu ver, uma franquia deveria ser capas de suprir a utilização constante da internet ao menos por 1/8 do mês contratado, ou seja, uma franquia de aproximadamente 800 GB nos planos de 20 mbps.

Eu levei o problema para a Anatel 3 vezes, e em todas as vezes a resposta foi de que a empresa estava fornecendo o serviço de acordo com as regras impostas. Esqueceram de consultar a calculadora.

Se passaram alguns bons meses, quase 2 anos, e então a NET lançou os serviços de TV “Digital HD” e “Digital HD Max”. Estes serviços, diferente do serviço de TV “Digital” que ofereciam, utilizava de fato tráfego de dados digitais para transmissão do sinal.

O problema deste serviço não era a prestação do mesmo, mas sim o equipamento utilizado. Inicialmente a NET não fornecia o equipamento em formato de aluguel ou comodato, você tinha que pagar, e pagar muito caro por ele. E pagar ainda mais se quizesse o recurso de gravação do equipamento. O que diferenciava o equipamento a venda sem recurso de gravação e com recurso de gravação era… absolutamente nada. Você comprava um equipamento completo, e o recurso de gravação era liberado ou bloqueado pela NET conforme a demanda.

Esclarecendo: O equipamento, fabricado pela Cisco, já continha um HD para armazenar gravações e o programa necessário para fazê-lo, a NET, ao cobrar pelo serviço, não fazia ABSOLUTAMENTE NADA além de fazer uma liberação para que o equipamento possa fazer a gravação. Esta liberação não é um sinal específico, é simplesmente um código ou registro que permite que o equipamento execute todas as funções que ele já era capaz de fazer, mas que estava bloqueado para tal. Os recursos de gravação do equipamento não eram liberados ao comprar o equipamento, ou seja, você compra um produto mas não pode utilizar de todos os seus recursos, inutilizando assim os programas existentes dentro dele e o dispositivo de armazenamento.

O lema deste serviço deveria ser: “Net Digital HD Max! Você paga por aquilo que não pode usar, e se quiser fazê-lo, pagará ainda mais!”

Além das típicas reclamações a Anatel, também fiz uma queixa ao Procon-SP. Coletei todas as documentações, fiz um relatório, preparei a folha de rosto e mandei tudo por fax, conforme estava especificado no website. Não recebi absolutamente qualquer retorno.

Até então eu passava por essas 2 frustrações: A franquia e uma venda casada, sem contar alguns chamados técnicos sobre queda de sinal ou baixa velocidade na internet.

Após mais alguns meses a NET recriou o plano do Digital HD, cobrando um valor pelo equipamento sem o recurso de gravação, e outro equipamento com o recurso de gravação, em modalidades de aluguel. Assinei o HD Max.

Mais alguns meses entre pequenos chamados técnicos devido a quedas de sinal do Vírtua, então me ligam da NET oferecendo uma proposta com velocidade de internet maior, telefone grátis e pacote de TV com mais canais… por um preço mais barato que eu pagava. Assinei.

Poucos meses depois, percebi que o valor que constava na cobrança havia aumentado. Reclamei, emitiram um boleto com o valor corrigido e pronto. Este problema se repetiu por mais 3 meses.

Após pedir uma solução definitiva, a atendente informou que este é o preço devido, que não reajustarão o valor e… espera… como assim assino um serviço e 4 meses depois ele fica mais caro? Pedi o cancelamento e me ofereceram 3 meses de desconto. Tempo suficiente para enfrentar mais problemas.

Estranhamente, o ponto analógico (que eles chamam de digital) de TV começou a apresentar instabilidade, imagens quadriculadas e perda total de sinal (não utilizo o 3º ponto de TV). Um técnico veio, mexeu durante horas nas conexões e não resolveu. Chamei o mesmo técnico no dia seguinte, ele trocou o decodificador por um outro modelo (que ele diz ter maior segurança contra interferências) e o problema foi resolvido.

Após esse problema, foi a vez da conexão de internet apresentar problemas. Um simples “ping” em qualquer grande website apresentava perda de pacotes. Após a visita do técnico, ele ficou de refazer todas as conexões da NET do prédio. No dia seguinte ele passou algumas horas mexendo nas caixas de distribuição e o problema foi resolvido.

Após mais esse problema, outro ainda mais complicado: Tanto meu iPad quanto meu celular com sistema Android não conseguiam acessar o Youtube… o celular também não conseguia mais baixar aplicativos pelo Android Market.

Após diversos testes, diagnostiquei um problema de rota na NET. Os equipamentos só falhavam na rede da NET, e até a versão para desktop do Youtube, quando configurado para executar vídeos utilizando HTML5, também deixava de funcionar. Como explicar um problema de rota para uma atendente?

Na primeira tentativa eu caí com uma atendente tão destreinada que não sabia sequer o que era um IP. Na segunda tentativa, após mais de meia hora falando com a atendente, ela disse que um técnico deveria visitar o local. Eu pedi o técnico para a manhã do dia 14. Pedido recusado. Pedi o cancelamento, e aqui estou.

Meu serviço da NET deverá ser cancelado em breve, mas, conhecendo eles, irão entrar em contato, solicitar um plano mais barato, oferecer o técnico para o período que eu desejar e assim segumos a vida.

Eu trocaria a NET pelo Speedy Xtreme pelo preço que fosse se tivesse fibra ótica do serviço na minha rua. Infelizmente, não tem. Um dia terá, espero. =(

Deixo claro que esta empresa faz parte da minha lista de “piores empresas”, só pago pelos serviços deles ainda por não possuir um concorrente do mesmo porte com a mesma facilidade de entrega dos serviços, ao menos não ainda. Fibra ótica do Xtreme, cadê você?

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