Inicialmente publicado aqui.
Este é um relato pessoal sobre um problema que tive com o serviço Live oferecido pela Microsoft.
No dia 5 de dezembro de 2010 a Microsoft fez uma promoção na plataforma de jogos para PCs da mesma empresa, chamada Games for Windows Marketplace, que tenta concorrer diretamente com o Steam na distribuição sob demanda de jogos digitais. Neste dia, eles ofereceram o jogo Blacklight: Tango Down pelo irrisório preço de 99 centados de dólar. Comprei.
Como era um jogo que eu não esperada adquirir naquele momento, eu não o instalei de imediato. Uma vez que o jogo fica armazenado em minha conta Live, aguardei para o dia que tivesse vontade de jogá-lo.
No dia 20 de dezembro, ou seja, 2 semanas após a compra, eu fiz o devido download e instalei o jogo, e ao abrí-lo, ele solicitou a chave de acesso para o recurso Live (o jogo é dedicado online, a chave de acesso é mandatória), resgatei a chave no próprio programa de acesso ao Games for Windows Marketplace e inseri no jogo.
Eis que o jogo informa que a chave de acesso a Live dele já foi utilizada em outra conta.
Após procurar um meio de contato ao suporte no site do Games for Windows Live, fui direcionado a este formulário, no qual preenchi e enviei no mesmo dia:
Hi,
I purchased the game Blacklight Tango Down for Windows on www.gamesforwindows.com , I paid 99 cents on December 5 by daily promotion, and my GamerTag is IvanCarlos.
I tried to open the game now but it’s saying that my Live Key was already registered on another account.
I didn’t opened my game before or checked out the key on Games for Windows Marketplace client.
The key that appears here is:
LIVE Access Code: “xxxx-xxxx-xxxx-xxxx-xxxx”
Can you check please who are using my key, why and how can we solve that?
Thanks a lot
Eles me responderam no dia seguinte que eu precisaria entrar em contato por telefone no departamento de suporte do Xbox Live da minha região.
Procurando no site do Xbox Live sobre suporte no Brasil, encontrei o telefone e liguei para eles.
O atendente que não era brasileiro, mas sim português, foi bastante atencioso mas não conseguiu me ajudar, ele informou que somente o suporte do Xbox Live estadunidense poderia resolver o meu problema.
Liguei para o suporte do Xbox Live dos Estados Unidos (pelo Skype, uma vez que ligação internacional custa MUITO caro) e fiquei mais de 1 hora na linha com o atendente.
Resumindo toda a discussão, o diagnóstico é o seguinte:
A recomendação mais óbvia que eles puderam dar é que eu comprasse novamente o jogo, e eu realmente pensei nesta possibilidade, mesmo sabendo que o problema era integralmente da Microsoft, porém, o serviço Games for Windows Maketplace não dá opção que uma mesma conta compra 2 vezes o mesmo jogo, pois, assim como o Steam e outros serviços concorrentes, o jogo já está registrado em sua conta e não faria sentido adquirir ele em duplicidade.
Uma vez que o serviço de atendimento ao usuário não é capaz de dar uma solução ou qualquer alternativa ao problema do usuário, ele passa de ser classificado como “empresa de serviços” para ser classificado como “empresa de incompetências”, uma vez que não possuem capacidade de solucionar casos que caberiam a sua competência.
Fico imaginando como é que uma das maiores empresas desenvolvedoras de softwares, a líder em sistema operacional e correio eletrônico, é incapaz de lidar com uma situação dessa. Ainda me pergunto também como continuam tentando, insistentemente, a tentar entrar em mercados que não lhes competem, não possuem a expertise necessária tampouco se importam em resolver os problemas pertinentes a seus serviços.
Sem alternativa para solucionar meu problema, comprei novamente o jogo, agora pela plataforma concorrente e líder em distribuição sob demanda de jogos eletrônicos, o Steam, e este funcionou perfetamente, conforme esperado. Obrigado.
* Deixo claro aqui minha frustração não pela perda de tempo ou dinheiro, uma vez que o valor desprendido com o custo dos jogos e das ligações telefônicas foram irrisórios, mas sim com a incapacidade da Microsoft de atender seus clientes.
Microsoft no Reclame Aqui: www.reclameaqui.com.br/indices/613/microsoft/
No dia 5 de janeiro eu fiz uma publicação chamada “…e se fosse contra os EUA?“, falando sobre uma acusação contra o filme Avatar de ser “anti-americano” e uma comparação com o jogo Call of Duty: Modern Warfare 2, onde o jogador pode mata covardemente civis russos.
Neste post, eu levantei a seguinte questão: “Como seria a receptividade do governo dos EUA, em especial aqueles com algum vínculo ao partido republicano, se uma empresa fora dos EUA como a francesa Ubisoft lançasse um jogo parecido, com uma missão chamada “No American” e tivesse como missão sair atirando em todo mundo que estivesse em Manhattan?”
Pois é, aconteceu. E aconteceu por parte de uma empresa sediada nos Estados Unidos. E como era de se esperar, eles foram repreendidos.
A Eletronic Arts tem anunciado, a cerca de 1 ano, um novo título para a série Medal of Honor, e o jogo, de mesmo nome (sem qualquer subtítulo) conta com os eventos após o fatídico “11 de setembro”, após o suposto ataque contra o World Trade Center de New York, que resultou na invasão dos Estados Unidos ao Afeganistão e a guerrinha contra o Taliban. Na verdade, a rede terrorista aliada ao Afeganistão não é o Taliban, mas sim a Al Qaeda, porém, como possuem ligação com o Taliban, os estadunidenses – estúpidos como são – colocam tudo no mesmo saco e cultivam um repúdio contra todos.
Para efeito de ambientação, os modos “single player” do jogo são, claro, o jogador controlando um soldado americano contra a horda de soldados inimigos, porém, para tornar o jogo mais realista em seu modo “multiplayer”, o time adversário dos Estados Unidos foram nomeados de… Taliban.
“Que absurdo! Nenhum jogador pode se divertir matando soldados americanos em uma equipe chamada Taliban!!” Heis que o jogo de politicagem e boicotes começaram. O exército americano ficou dividido, algumas revendedoras e distribuidoras do jogo se recusaram a trabalhar com esse jogo, simplesmente pelo fato de existir a possibilidade de usar o nome Taliban contra os Estados Unidos.
Ao invés de a Eletronic Arts seguir seu rumo e ignorar a opinião de quem não foi com a cara do jogo (assim como fez a Activision quando reclamaram sobre o capítulo “No Russian”), eles renomearam o time de “Taliban” para “Opposing Forces”. Ou seja, eles quebraram a identidade do jogo em um movimento claro de censura própria para agradar a meia dúzia de distribuidores que concordaram que matar civis russos é correto, porém matar soldados estadunidenses não. A meu ver, independente de paixão a pátria, matar civis inocentes é muito mais grave que um combate entre soldados.
Pior, muitos distribuidores não mudaram sua posição de não revender o jogo após tal “censura”. A Eletronic Arts só conseguiu perder, ela perdeu terreno por causa da pressão republicana, perdeu ao ceder para uma censura discriminatória sem fundamento, perdeu mercado por quem queria encontrar uma lore decente e encontrou um jogo adaptado aos moldes da opinião da minoria, e por fim, perdeu pelo próprio jogo, que não conseguiu chegar perto da qualidade da série Call of Duty, que é a franquia concorrente.
O jogo Medal of Honor (2010) foi lançado no dia 12 de outubro de 2010 para PC, PlayStation 3 e Xbox 360, foi desenvolvido por 2 times de desenvolvimento da Eletronic Arts (Danger Close e DICE) e distribuído pela própria Eletronic Arts.
Tenho uma repulsão absurda aos os jogos “anuais”, e tenho certeza que muitos compartilham da mesma opinião que eu. Comprar um jogo eletrônico com prazo de validade pré-estipulado é quase tão inútil quanto colocar DRM em jogo sabendo que será quebrado.
É intrigante a forma como as coisas são ofertadas. Você gosta de um determinado jogo, e vê ao lado dele se prazo de validade: “FIFA 2010″.
O quê? E o que acontecerá em 2011? A resposta é óbvia, será lançado o FIFA 2011. Você não terá com quem jogar seu FIFA 2010, ostentará um produto desatualizado, abandonado e esquecido, conforme-se.
Segue uma breve lista dos jogos anuais contaminados por esta síndrome de EA, ainda que não seja um problema exclusivo dela:
Nota-se que todos os jogos envolvidos na lista tratam-se de títulos esportivos, mas o mérito não é só deles, veja o caso mais notório:
São 30 títulos em menos de 10 anos!!! Entenderam por que “Síndrome de EA” leva o nome da produtora? Isso acontece também e outros títulos da mesma companhia, como por exemplo o Need for Speed. Será que ninguém até então apresentou aos estúdios e seus publishers, soluções como atualizações automáticas e DLCs sob demanda?
Com certeza, uma gama muito maior de jogadores se interessaria por títulos “definitivos”, onde atualizações e continuidades, assim como melhorias razoáveis, fossem disponibilizadas – mesmo que de forma paga – a seus usuários. E muitos desses pagariam para ter tais conteúdos extras, provavelmente muito mais dos que acabam por adquirir tais jogos ano a ano.