Voto obrigatório, democracia e tiroteio midiático

O voto obrigatório foi um artifício usado para garantir a democracia do nosso país. Eu, a grosso modo, sou contra o voto obrigatório, a grande maioria das pessoas também são, mas admito que sem esta obrigatoriedade não teríamos conquistado a nossa democracia, principalmente o movimento civil das “diretas já” teria sido em vão.

A verdade é que, por mais insolúvel que seja um voto consciente entre uma grande massa de manobra, ainda vale apostar na democracia que está de fato sendo exercida do que o enfraquecimento do poder conjunto, assim como já fazemos com nossas próprias leis (leia aqui sobre enfraquecimento da lei).

A mídia e o governo estão saindo literalmente “na mão” quanto a suposta censura de imprensa é colocada em pauta, imposta informalmente. A verdade é que existe muita jurisprudência, muito consentimento, e muito medo de machucar que está nos bancando. O Grupo Estado, por exemplo, reclama que não pode citar o nome José Sarney em suas páginas criminais, vetado pelo Superior Tribunal Federal por perseguição. Já o poder executivo nega qualquer envolvimento com as decisões do judiciário em prol do legislativo. A oposição, sabidamente, acusa este mesmo governo, porém, é a própria mídia que acaba por calar seus jornalistas, colunistas e editores quando é reportada alguma opinião contrária ao do Grupo. Um dos inúmeros casos é a proibição da jornalista Maria Rita Kehl de escrever sobre política no Estado, após esta matéria.

Já os roteiristas estão assumidamente riscando os temas políticos de seus livros, novelas, filmes, não por um receio direto de uma suposta censura, mas porquê a direção não os aceita, e novamente, não seria devido a censura, mas sim pelo receio de ferir seus executivos, sócios, parceiros, beneficiários e afins. Claro, ninguém pensa mais em coletividade de porra nenhuma, cada um quer tirar o seu da reta, tentar evoluir miseravelmente sua vida, e deixar o resto do mundo saindo na mão, como nunca antes acontecera.

Bem vindos ao novo Brasil, a terra onde vivem cada um por si.

Atualização: Segundo o Vi o Mundo e o Observatório de Imprensa, entre outros veículos, a psicanalista e jornalista maria Kehl foi de fato demitida pelo Estadão, em um ato estúpido de censura. Estou aguardando o próximo idiota a me oferecer renovação de assinatura do Estadão. Caro Grupo Estado, pare de palhaçada e remova aquele “Há X dias sob censura” de sua página inicial, hipócrita. Existe alguma mídia que se salva nesse mundo?

Violação de Segurança: A “Mata Hari” do cyberespaço

Robin Sage, a "Mata Hari" da internet, criada por Thomas Ryan

O caso é fantástico e ao mesmo tempo previsível. Na verdade não tem nada de estranho, só comprova que homens machos do sexo masculino estão geneticamente programados para fazer tudo por um rabo de saia, inclusive abrir mão das faculdades mentais superiores que fingimos ter.

A diferença aqui é a proporção que a coisa tomou.

Tudo começou quando surgiu nas interwebs uma moça chamada Robin Sage, essa aí da foto. Ela dizia ter 25 anos e ser Analista Especialista em Ameaça Cibernética (Cyber Threat Analyst) do U.S. Navy’s Network Warfare Command. Chique, não?

Em menos de um mês ela conseguiu 300 contatos no Facebook, incluindo muita gente da comunidade de Inteligência. Fotos de biquini ajudaram.

Não parando no Facebook, Robin tinha perfis no Twitter, Linkedin e outros serviços. Seus contatos incluiam gente que trabalhava com o Estado Maior das Forças Armadas dos EUA, CIA, Corpo de Fuzileiros empresas como Lockheed Martin, Northrop e até o NRO, National Reconnaissance Office, agência secreta responsável pelos satélites espiões do Tio Sam.

Robin recebeu convites para revisar documentos da NASA, propostas para jantar, apresentar uma coferência em Miami… Um soldado no Afeganistão mandou uma foto com dados de geolocalização e pra piorar um terceirizado no NRO se confundiu e revelou pra ela a pergunta secreta pra recuperar senha na conta de email. Fora informações pessoais, fotos de família, endereços e tudo mais revelado pelos espertões babando pela gatinha.

Thomas Ryan

O problema: Robin Sage não existe.

Ela foi criada por Thomas Ryan, consultor de segurança. Foi um experimento para identificar a facilidade com que os membros da comunidade de segurança e inteligência poderiam ser enganados. Podemos dizer que o experimento foi MUITO bem-sucedido, e que ninguém verifica absolutamente nada.

O Comando de Network Warfare da Marinha dos EUA não tem um cargo de Cyber Threat Analyst, para ter 10 anos de experiência Robin deveria ter começado a trabalhar com segurança aos 15 anos, e bem, uma busca no Google traz como primeiro resultado para Robin Sage

Pois é. Robin Sage é um exercício de forças especiais que acontece 4 vezes ao ano, tem mais de 19 anos que é praticado e envolve um porrilhão de gente. Thomas Ryan também deixou outras pistas, como usar uma foto de uma mulher com aparência estrangeira (que ele pegou de um site erótico, buscando no Google por “Emo Chick”, sério!) e outros detalhes, como os perfis todos tendo um mês de idade.

Robin Sage desmascarada

Não é preciso dizer que o Pentágono está pegando fogo. A facilidade com que gente inteligente cai vítima de engenharia social é assustadora. Antigamente as espiãs sedutoras como Mata Hari ainda tinham algum trabalho, hoje em dia já dá para conseguirem informações sem sequer tirar a roupa (nem mesmo na webcam). Bolas, essa conseguiu informações e contatos sem sequer existir!

Portanto, fica a lição: Seja você Especialista de Segurança dos EUA, seja você um zé-mané qualquer, a regra é clara: Não dê mole. Um pouco de cinismo é essencial para sobreviver online.

Fonte: Washington Times

You can’t believe everything you read on the Internet

Da mesma forma com que eu costumo brincar com minhas equipes: “O objetivo é o máximo”.

Me ligaram por volta do meio dia informando que havia uma referência a minha pessoa em um site político. Eu estranhei, pois não entendo, não trabalho, não conheço, e NÃO VOTO nas eleições.

A situação era a seguinte: Um perfil do Blogger, com minhas informações e minha foto (que estavam disponíveis no Orkut, sem tirar nenhuma vírgula), surgiu do nada, e com ele um blog recém criado. Este blog era um endereço falho do blog http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com, “amigosdopresientelula”, que nem esses que você digita www.goggle.com.br e ele te leva para um site errado.

No melhor estilo – teoria conspiratória – pegaram o nome de uma das grandes empresas para qual trabalho e relacionaram com um outro evento político. Sorte da Valve não ser brasileira, seria engraçado ver uma empresa de jogos envolvido com política, porém, pegaram no pé de uma grande empresa de comunicação.

Para encerrar, atribuíram a ação deste clone como legítima, dizendo que “a turma serrista está querendo obstruir as pessoas de lerem nosso blog”. Eu não sei se a turma serrista sou eu, ou se é a empresa de comunicação, uma vez que nem eu nem ela possuímos qualquer vínculo político. Se eu estivesse falando da revista Veja – assumidamente “de direita” – seria diferente.

Repito então as palavras de Jerry Lambert, ator que interpreta o VP “de qualquer coisa” da Sony, Kevin Butler: “You can’t believe everything you read on the Internet”.

PS: Liguei para o service desk do Google, enviei um documento com foto conforme ordena o procedimento, e o perfil clonado, assim como seu blog de endereço errado, foram apagados. Infelizmente essa abordagem não vence os aproximadamente 20 perfis falsos de minha pessoa que ainda existem no Orkut.

Página 2 de 612345...Última »