O Brasil transformou-se no país das coincidências. Já temos aquela fama de ser o país dos santos, dos jogadores de futebol, das mulheres de biquíni. E agora somos a República das Coincidências.
Veja só: cai um avião da Gol num acidente estranho. Dez meses depois cai um da TAM noutro acidente estranho. Quatro meses depois caem três helicópteros no mesmo dia e um jatinho executivo, num acidente estranho.
Não é uma coincidência? E, por coincidência, ao mesmo tempo o Brasil vive um caos aéreo, com greve de controladores, desencontro de informações, desrespeito aos passageiros, atrasos e cancelamentos. O apagão aéreo. Ah, e o serviço de bordo fica umam******e as poltronas mais apertadas. E agora a BRA quebra… Só pode ser coincidência.
E em outra área onde o país é reconhecido – o futebol – outras coincidências. Times populares como Palmeiras e Corinthians caem pelas tabelas com times repletos de pernas-de-pau. Por coincidência, estouram ao mesmo tempo escândalos sobre lavagem de dinheiro, venda irregular de jogadores, relação promíscua com empresários, levando até mesmo alguns dirigentes à prisão. Tudo ao mesmo tempo. Que coincidência…
Não é uma coincidência discutir-se a prorrogação da CPMF enquanto vemos hospitais entrando em colapso, o sistema de saúde arrasado, médicos em greve e os pacientes condenados ao sofrimento eterno?
Não é uma coincidência que, pouco tempo depois daquela confusão toda da Bolívia com a nacionalização dos empreendimentos da Petrobras, o Brasil seja confrontado com um apagão de energia? Vai faltar gás. Vai subir o preço do gás. Tudo ao mesmo tempo. Que coincidência.
Outra coincidência brasileira: ao mesmo tempo em que o sistema educacional experimenta uma brutal queda na qualidade, transformando-se numa indústria de ignorantes, todos os indicadores internacionais de qualidade de ensino aplicados colocam o Brasil nos últimos lugares da fila, atrás até mesmo de miseráveis países africanos. Que coincidência, né?
Mais uma coincidência: enquanto descobrimos que a corrupção está enfronhada em todos os níveis e segmentos da sociedade brasileira – inclusive com aqueles espetáculos vergonhosos proporcionados pelos políticos – assistimos ao PCC parando São Paulo, o tráfico de drogas parando o Rio de Janeiro, os celulares invadindo as prisões e algumas organizações terroristas internacionais espalhando seus tentáculos pelo Brasil. Tudo ao mesmo tempo. Só pode ser coincidência.
Olha mais essa: um discurso esquerdista, imbecil, atrasado e míope toma conta da sociedade, pregando o ódio entre as classes, demonizando as “elites” e criando uma quimera que não existe, um tal de ?neoliberalismo?. Ao mesmo tempo o PIB brasileiro patina, nossa economia só cresce pra valer no paralelo, a pirataria ganha espaço e milionários – digamos, “informais” – surgem por toda parte. Que coincidência…
Também tem outro fenômeno: enquanto esse mesmo papo esquerdista de “defesa dos oprimidos” flexibiliza as leis e valores morais, os movimentos ditos “populares”, como MST e congêneres, espalham terror invadindo e destruindo impunemente propriedades, fazendo reféns, matando e roubando. Não é uma coincidência?
Outra coincidência: sempre que existe um confronto do MST com os donos das propriedades invadidas só os mortos do MST têm nomes, famílias e defensores. Mais coincidência.
E as obras que só ficam prontas às vésperas das eleições? Coincidência. E as emendas que são aprovadas às vésperas das grandes votações? Coincidência. E olha outra: a maioria das emissoras de rádio e televisão pertence a políticos! Que coincidência. E a TV do Lulla? Todos os indicados para a direção são jornalistas que defenderam o Lulla enquanto a maioria batia. Não é uma coincidência?
E aquela moça linda e inteligente que teve um caso com o político feio e desengonçado? Por coincidência ela engravidou. E quem pagava a pensão, por coincidência, era o cara da empreiteira!
E tem também… Ah, quer saber? Essas coincidências já começaram a me encher o saco.
Uma coincidência é algo absolutamente normal e curioso. É definida como ato ou efeito de coincidir. Como a realização simultânea de dois ou mais acontecimentos. Duas coincidências são mais raras, mas costumam acontecer. Três coincidências deixam a gente em alerta. Quatro, tem cheiro de sacanagem… Mas quando tudo é coincidência, não há mais dúvidas: estamos lidando com… coindecências.
O Brasil transformou-se na República das Co-in-de-cên-cias.
Luciano Pires é jornalista, escritor, conferencista e cartunista. Faça parte do Movimento pela Despocotização do Brasil, acesse www.lucianopires.com.br.
por Bia Kunze
Eu sou contra qualquer tipo de imposição. Ainda que seja para um *suposto* bem comum. Afinal, nenhuma ideologia que é imposta sem ser discutida pode resultar em bem comum.
Não sou eu quem digo isso. É a História. Por causa de um regime de governo que queria o bem comum, meus avós passaram a juventude esfregando batatas em queijos embolorados, para pegar o cheirinho, pois uma fatia de queijo não dava para alimentar a família toda.
Onde eu quero chegar com isso?
Situação 1.
A Câmara dos Deputados levanta a bola: proclamar o dia 11 de maio feriado nacional, por causa do Frei Galvão, agora santo.
A bancada evangélica chia: não reconhece os santos católicos. Dia 11 de maio não pode ser feriado nacional, afinal, vivemos num estado laico. Onde fica a liberdade de religião de cada um?
Ok, ok. A Câmara propõe uma votação popular. Santifica o dia 11 de maio ou não? A bancada evangélica protesta de volta. Não, não pode haver votação. Não pode santificar e ponto final.
Uai, quem foi que falou em liberdade?
Situação 2.
Preocupados com os índices de mortalidade no país por causa de abortos clandestinos, o governo propõe legalizá-lo.
A CNBB bate o pé. Não pode. É pecado.
O governo rebate. É pecado para quem é católico. Não estamos preocupados com a consciência religiosa de cada um. A questão é de saúde pública. E aborto continuará sendo sempre uma opção, e não uma imposição.
Os católicos não aceitam a justificativa.
O Ministério da Saúde tenta uma solução democrática. Vamos abrir um canal de discussão, fazer uma votação popular?
A CNBB protesta de volta. Não, não e não. Não pode haver votação nem discussão. Não pode legalizar e ponto final.
Então tá. Vamos deixar a mocinha que tentou aborto com agulha de tricô sangrar até morrer. Afinal, é a vontade de Deus e ela é uma pecadora.
Situação 3.
O governo Lula vai privilegiar o sistema Linux e não dará espaço para que softwares como o Windows entrem na competição nos projetos de inclusão digital nas escolas.
Que maravilha, dizem os petistas. Vamos parar de gastar milhões com licenças de software proprietário!
Alguns professores acham esquisito. Afinal, 90% do mercado de trabalho exige conhecimentos em Windows para as colocações de emprego mais básicas. Mas tudo bem, pensam eles, sobrará mais dinheiro para nosso salário e capacitação profissional.
Se o problema é dinheiro, diz a Microsoft, ofereceremos Windows de graça.
Não, não, diz o assessor da Presidência, José de Aquino. Essa possibilidade não existe. Só usaremos software livre.
Ok, então. Vamos deixar nossos jovens desempregados. O guri que recém-acabou o 2º grau não conseguirá aquela vaga de recepcionista num laboratório de análises clínicas porque não tem a qualificação básica “Windows-Word-Excel” exigida no currículo. E que 90% do mercado usa.
Ah, quer saber? Azar do laboratório, que é do mal, pois usa software proprietário. Os jovens serão livres, é o que importa! Livres inclusive para ficarem desempregados.
Duvidam? Leiam aqui.
Gente, estamos falando de educação. Inclusão digital. Eu sou radicalmente a favor que repartições públicas e entidades governamentais usem software livre, afinal, trata-se de milhões economizados dos NOSSOS bolsos em licenças.
Mas na educação não. A escola tem que preparar a meninada para tudo. Vamos ensinar Linux, Ubuntu, Windows, vamos ensinar tudo aos jovens, principalmente a serem formadores de opinião e escolherem o que querem. É errado impor só Windows, tão errado quanto impor só Linux. Imposição não funciona. Conhecendo os dois sistemas, os jovens poderão até mudar a mentalidade dos mais velhos, mostrando as vantagens do software livre em contraposição ao software proprietário. Ah, sim, mesmo que eles queiram ser advogados no futuro, sinto muito, terão que aprender matemática também.
Podem falar que Linux é a única salvação contra os altos índices de pirataria que grassam no país. Mas a meu ver, até pirataria é opção. Assim como furar sinal vermelho, bater carteira na rua, jogar água na bomba de gasolina, ou qualquer outra contravenção. Pelo menos a pirataria deixaria de ser desculpa para a falta de conhecimento.
E quem acha que, ao expor as situações 1, 2 e 3, eu exagerei ao comparar sistema operacional com religião, está muito enganado.
editorial de “O Estado de SP – 31/07/2007″
Os pesquisadores que perderam seus experimentos fazem estarrecedores relatos, que precisam ser apurados pelas autoridades responsáveis
Nenhum programa espacial é uma história ininterrupta de sucessos.
Os soviéticos, que saíram à frente na conquista espacial, colecionaram fracassos atrás de fracassos, como se ficou sabendo quando caiu o véu de segredo que cobria essas atividades.
Foguetes explodiam na decolagem ou durante o vôo – e experiências científicas perderam-se nesses lançamentos frustrados.
Com os EUA, a única diferença foi que os fracassos eram filmados e transmitidos para o grande público.
Nesses dois programas – os mais avançados jamais feitos pelo homem – pessoas perderam a vida, ou nas explosões em solo, ou nas cápsulas e veículos tripulados que explodiram ou não puderam ser recuperados em ordem.
Aprendeu-se tanto com o sucesso como com o fracasso.
E se hoje os lançamentos e viagens espaciais são uma rotina que quase não provocam mais espanto e curiosidade, é porque os países que se dedicaram à conquista do espaço – e não foram apenas os EUA e a antiga URSS – usaram seus melhores recursos humanos e financeiros para desenvolver tecnologias que acabaram tendo emprego na nossa vida cotidiana.
Encararam o desafio com seriedade e perseveraram nesse empreendimento.
O Programa Espacial Brasileiro, iniciado na distante década de 1970, foi e está sendo administrado da maneira exatamente oposta à empregada por países, como Índia e China, que adotaram programas idênticos muito depois e estão muito à frente do Brasil.
Há mais de uma década, o programa brasileiro tem vida praticamente vegetativa, sustentada por recursos orçamentários escassos que desestimulam a permanência de cientistas e técnicos e não são um incentivo à formação de outros.
A última das três malogradas tentativas de lançamento do Veículo Lançador de Satélites (VLS) foi feita há três anos e não se tem idéia de quando e se o programa será retomado.
Não há método nem propósito definido numa atividade que deveria ser prioritária para o governo, na área científica e tecnológica.
Não surpreendem, portanto, as revelações contidas na reportagem de Eduardo Nunomura, publicada sábado em “O Estado de SP”, sobre os bastidores do lançamento do foguete de pesquisas VSB-30, no Centro de Lançamentos de Alcântara.
O foguete foi lançado com sucesso – após adiamentos determinados pelas condições meteorológicas -, mas a sua carga útil, contendo experimentos científicos, não foi recuperada.
Esse fato, em si, não seria extraordinário.
Em condições normais, um sem-número de fatores pode fazer com que helicópteros, aviões e embarcações encarregadas da recuperação da carga não consigam cumprir sua missão.
Mas a não recuperação da carga, no caso do VSB-30, teria sido o corolário das condições que precederam o lançamento do foguete, relatadas na reportagem.
Os pesquisadores que perderam seus experimentos fazem estarrecedores relatos, que precisam ser apurados pelas autoridades responsáveis.
Por exemplo, havendo uma ‘janela’ de apenas cinco dias para o lançamento, a Base de Alcântara foi fechada no domingo, para descanso.
O coordenador de resgate da carga útil teria entrado em choque com o coordenador-geral da operação, por discordar de uma eventual alteração da rota do veículo.
Embora negue o atrito, o fato é que o coordenador do resgate voltou para São José dos Campos, SP, antes do lançamento.
Sua explicação: “Sou vice-diretor de Administração do Instituto de Atividades Espaciais, estava chegando o final do mês e tenho de pagar as contas, precisei voltar.” O foguete subiu no dia 19.
Além disso, às 5h da manhã desse dia os pesquisadores ficaram sabendo por intermédio de um motorista que os servia que o foguete seria lançado naquele dia.
E o motorista tinha bons motivos para saber o que aconteceria: “Os salgadinhos (para o coquetel comemorativo) foram entregues hoje.”
E, se não bastasse, houve divergências entre militares e pesquisadores sobre a abertura do pára-quedas da ogiva com a carga útil.
Reclamam os pesquisadores que foram feitas apenas cinco tentativas de busca, quando na missão anterior, em 2002, a operação de resgate durou duas semanas.
A serem procedentes as reclamações e denúncias dos pesquisadores, a bagunça que é a marca do governo Lula chegou ao espaço.