Pirataria e a (falta de) distribuição digital como agravante

A cidade do mundo dos jogos

Originalmente postado aqui.

Quando pensamos em localização geográfica para desenvolvimento de filmes, a primeira coisa que nos vem a cabeça é Hollywood, onde estão os grandes estúdios e sets de filmagens, na Califórnia, EUA. Quando pensamos em desenvolvimento de tecnologia e empresas como Apple, NVidia, AMD e HP, logo pensamos no Vale do Silício, também localizado na Califórnia, EUA. Mas… Onde estão concentrados os maiores estúdios de jogos do mundo?

As maiores empresas desenvolvedoras e distribuidoras de jogos do mundo estão na região de grande Seattle, Washington, EUA. Não se sabe exatamente por qual motivo, mas empresas como Valve, Nintendo, NCSoft, Popcap, Monolith, Real Arcade e outras menores como Bungie, Gastronaut Studios, Surreal, Zipper, Zombie Studios, Snowblind Studios e até a badass Microsoft estão sediadas em Seattle sem uma razão aparente. A Microsoft inclusive nasceu no Vale do Silício, e se mudou para a cidade de Redmonth (uma das cidades da grande Seattle) algum tempo depois.

Sem levar em consideração os grandes estúdios que estão sediados fora dos EUA, como a Sony no Japão, a Ubisoft na França e a Codemasters na Inglaterra, ninguém conseguiu ainda responder o que levam os grandes estúdios de jogos para Seattle. Um dia eu irei descobrir.

Somente por curiosidade: BlizzardEletronic Arts, AtariTHQ estão na Califórnia. Quando as grandes não estão em Seatle, onde mais poderiam estar?

Desglobalização e globalização assíncrona

Muitas empresas ainda não entenderam: Por mais impecílios que existam, a globalização demanda alguns pontos que devem ser observados quando pensamos em distribuição de produtos e serviços. O que listo abaixo são 2 cenários que tratam os impacto negativo nas empresas que “promovem” a “desglobalização”:

  1. Se sua marca é mundial, seu produto ou serviço deve ser lançado mundialmente. Não adianta selecionar áreas de atuação, se você não entregar ou adiar o lançamento de um produto ou serviço em determinada região, você terá contra si 3 fatores: A não exploração deste mercado, o contrabando ou violação de acesso e a pirataria. Se ainda assim, teimar em fazer lançamentos tardios nestas regiões, ainda terá uma atuação frustrada, pois seu produto se tornou obsoleto. Exemplos: HTC lança o celular Touch Pro no Brasil após 2 anos de lançamento em outros países, Microsoft lança produtos no Brasil com defasagem e/ou preços superfaturados em relação a outros países.
  2. Se sua marca não é mundial, seu produto não deve ter restrições contra acesso a ele. Não tente impedir que usuários compre seus produtos, eles querem te pagar, na moeda que o fornecedor deseja! Impedir que um produto ou serviço seja acessível por consumidores que estão fora da sua região de atuação cria os mesmos 3 fatores contra si: A não exploração deste mercado (o que é um absurdo, uma vez que o consumidor está disposto a te pagar, na sua moeda, pelo seu serviço), o contrabando ou violação de acesso, e com muito mais intensidade a pirataria, pois um usuário que deseja um produto ou serviço que não está disponível em seu país e que o fornecedor implanta bloqueios que explicitamente impedem o consumidor de acessar este recurso, ele “concede a si” o direito de copiar ilegalmente este produto ou serviço, uma vez que não há outra forma de obtê-lo. Exemplos: Apple não vende conteúdo do iTunes no Brasil, Sony não aluga ou vende conteúdo de vídeo do Playstation Network no Brasil, Publishers de entretenimento digital não vendem alguns conteúdos através de distribuição digital, Microsoft impede aquisição de produtos no Brasil.

Não vou entrar na discussão referente ao DRM, mas quero dar um brief. O DRM é mais que um impecílio que impacta violentamente na pirataria no mundo. Eu não compraria músicas no iTunes mesmo se existisse no Brasil se eles fossem distribuidos com DRM, meu celular não lê músicas com DRM. Existem algumas vendedoras de música digital no Brasil, mas TODAS, além de possuírem um catálogo de músicas limitadíssimo, também só as distribuem com DRM. Que saída teria a não ser a pirataria?

Eu cheguei a falsificar um endereço dos EUA para poder comprar legalmente o Money, da Microsoft, e MESMO ASSIM  não poderei usá-lo após 2011 por causa do DRM! Nunca mais compro um produto da Microsoft, não quero um dia instalar um Office lançado a 5 anos atrás e ser surpreendido com um aviso dizendo que não posso ativá-lo porque o servidor de ativação foi desligado.

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