A maldição da internet

A internet não é uma maldição, mas com certeza nela existe alguma. É como uma imensa biblioteca mutante, reorganizando suas informações de forma imprevista, expondo e escondendo informações esquecidas no tempo.

Este blog passou por uma limpeza dos últimos meses, e nesta faxina, centenas de posts foram eliminados.

A razão deste cleanup é o fato de os blogs eternizarem opiniões que mudaram, fatos que não são tão reais quanto se pensava, doenças que provavelmente não mais existem.

Este é o problema da internet.

Algumas pessoas ainda me veem como o garoto que tirou o fórum OuterSpace do ar em 2001, outros como o cara que tem um grito como ringtone no celular, ainda outros, um pacato filatélico depressivo que não sabia o que queria de fato da vida.

O maior problema não é saberem quem você foi, mas sim como esta informação é apresentada aos demais, e o quão verdadeira ela parece ser.

You can’t believe everything you read on the Internet

É comum algumas pessoas se virarem contra as outras, com armas em punho e acusações na ponta da língua… como se tudo o que estivesse escrito na internet sobre você fosse simplesmente verdade.

…e como tudo que estivesse escrito sobre você na internet fosse um resumo de quem você é na verdade.

A questão é que nem tudo que a internet diz é verdade.

A questão é que nem tudo está na internet.

Pense sobre isso.

You can’t believe everything you read on the Internet

Da mesma forma com que eu costumo brincar com minhas equipes: “O objetivo é o máximo”.

Me ligaram por volta do meio dia informando que havia uma referência a minha pessoa em um site político. Eu estranhei, pois não entendo, não trabalho, não conheço, e NÃO VOTO nas eleições.

A situação era a seguinte: Um perfil do Blogger, com minhas informações e minha foto (que estavam disponíveis no Orkut, sem tirar nenhuma vírgula), surgiu do nada, e com ele um blog recém criado. Este blog era um endereço falho do blog http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com, “amigosdopresientelula”, que nem esses que você digita www.goggle.com.br e ele te leva para um site errado.

No melhor estilo – teoria conspiratória – pegaram o nome de uma das grandes empresas para qual trabalho e relacionaram com um outro evento político. Sorte da Valve não ser brasileira, seria engraçado ver uma empresa de jogos envolvido com política, porém, pegaram no pé de uma grande empresa de comunicação.

Para encerrar, atribuíram a ação deste clone como legítima, dizendo que “a turma serrista está querendo obstruir as pessoas de lerem nosso blog”. Eu não sei se a turma serrista sou eu, ou se é a empresa de comunicação, uma vez que nem eu nem ela possuímos qualquer vínculo político. Se eu estivesse falando da revista Veja – assumidamente “de direita” – seria diferente.

Repito então as palavras de Jerry Lambert, ator que interpreta o VP “de qualquer coisa” da Sony, Kevin Butler: “You can’t believe everything you read on the Internet”.

PS: Liguei para o service desk do Google, enviei um documento com foto conforme ordena o procedimento, e o perfil clonado, assim como seu blog de endereço errado, foram apagados. Infelizmente essa abordagem não vence os aproximadamente 20 perfis falsos de minha pessoa que ainda existem no Orkut.

Ode a outrém

Eu não sabia que memórias tinham vida, sentimentos e marcas a curar.
Não sabia que atos antigos lutavam em retornar, reaparecer…
Não quis esquecer de tudo, mas o que finjo esquecer retorna.
Me toma descalço, desprevinido, sem qualquer motivo.

Eu fui julgado por crimes que eu julgara certo,
agora sou julgado por crimes que não cometi,
eu não queria ver histórias e sangue sob mim.

Eu sempre busquei o controle sem saber se o desejara,
agora busco a mim mesmo, sem saber se ainda existo…

Seria eu um homem, como muitos homens, que fazem escolhas erradas? Não há vontade que mude o passado.

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