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Os comentaristas de comentários

4 de janeiro de 2010 Sem comentários

Este é um dos maiores problemas da revolução desencadeada na web 2.0. Os comentaristas de comentários.

Não basta mais as milhões de colunas, blogs e editoriais comentando cada passo, gafe ou evento que ocorre no mundo real. Seja sobre a Susan Boyle no Britain’s Got Talent, sobre a guarda do garoto Sean, sobre o deslizamento de terra em Angra ou sobre os comentários do Boris Casoy sobre os garis, a velocidade da web 2.0 faz com que os comentários aos eventos se tornem desgastados rapidamente, e os alvos de comentários passaram a ser estes, os próprios comentários.

Devido a espontaniedade da rede atual, qualquer evento que ganhe notoriedade, em poucos minutos, ganha um ataque apelidado de cyberbullying (Bullying é um termo inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully ou “valentão”) ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender). O problema é que, devido ao desgaste provocado por este imediatismo, o cyberbullying ganha outro foco, agora voltado aos comentários anteriores. Para ser mais específico, contra aqueles que de alguma forma não concordam com a grande maioria.

Eu não vejo qual o sentido de se comentar um comentário fora do domínio deste comentarista. Se você opina sobre um evento recente, e eu discordo deste evento, deveria eu publicar meu ponto de vista quanto ao evento, e não questionando a opinião do comentarista. Oras, estamos falando de opinião! Se quer debater um comentário, utilize os recursos disponíveis as margens deste comentário, seja seu blog, rede social, whatever, não faz sentido criar um post em seu blog atacando o post de um outro blog ou seus autores que reclamam de um assunto que talvez nem está mais em evidência.

Que utilidade isso tem para seus leitores?

Além de não ajudar sequer a si mesmo, a práticar de gritar no escuro contra comentaristas é ridículo, inútil e só faz perder, além do seu próprio tempo, o daqueles que porventura chegaram a este tentando obter um comentário de sua pessoa em relação ao evento, e não em relação a outrém que sequer era de interesse público e provavelmente menos evidenciado que sua pessoa.

Categories: Pessoal

Nem 8, nem 80

1 de setembro de 2007 Sem comentários

por Bia Kunze

Eu sou contra qualquer tipo de imposição. Ainda que seja para um *suposto* bem comum. Afinal, nenhuma ideologia que é imposta sem ser discutida pode resultar em bem comum.

Não sou eu quem digo isso. É a História. Por causa de um regime de governo que queria o bem comum, meus avós passaram a juventude esfregando batatas em queijos embolorados, para pegar o cheirinho, pois uma fatia de queijo não dava para alimentar a família toda.

Onde eu quero chegar com isso?

Situação 1.
A Câmara dos Deputados levanta a bola: proclamar o dia 11 de maio feriado nacional, por causa do Frei Galvão, agora santo.
A bancada evangélica chia: não reconhece os santos católicos. Dia 11 de maio não pode ser feriado nacional, afinal, vivemos num estado laico. Onde fica a liberdade de religião de cada um?
Ok, ok. A Câmara propõe uma votação popular. Santifica o dia 11 de maio ou não? A bancada evangélica protesta de volta. Não, não pode haver votação. Não pode santificar e ponto final.
Uai, quem foi que falou em liberdade?

Situação 2.
Preocupados com os índices de mortalidade no país por causa de abortos clandestinos, o governo propõe legalizá-lo.
A CNBB bate o pé. Não pode. É pecado.
O governo rebate. É pecado para quem é católico. Não estamos preocupados com a consciência religiosa de cada um. A questão é de saúde pública. E aborto continuará sendo sempre uma opção, e não uma imposição.
Os católicos não aceitam a justificativa.
O Ministério da Saúde tenta uma solução democrática. Vamos abrir um canal de discussão, fazer uma votação popular?
A CNBB protesta de volta. Não, não e não. Não pode haver votação nem discussão. Não pode legalizar e ponto final.
Então tá. Vamos deixar a mocinha que tentou aborto com agulha de tricô sangrar até morrer. Afinal, é a vontade de Deus e ela é uma pecadora.

Situação 3.
O governo Lula vai privilegiar o sistema Linux e não dará espaço para que softwares como o Windows entrem na competição nos projetos de inclusão digital nas escolas.
Que maravilha, dizem os petistas. Vamos parar de gastar milhões com licenças de software proprietário!
Alguns professores acham esquisito. Afinal, 90% do mercado de trabalho exige conhecimentos em Windows para as colocações de emprego mais básicas. Mas tudo bem, pensam eles, sobrará mais dinheiro para nosso salário e capacitação profissional.
Se o problema é dinheiro, diz a Microsoft, ofereceremos Windows de graça.
Não, não, diz o assessor da Presidência, José de Aquino. Essa possibilidade não existe. Só usaremos software livre.
Ok, então. Vamos deixar nossos jovens desempregados. O guri que recém-acabou o 2º grau não conseguirá aquela vaga de recepcionista num laboratório de análises clínicas porque não tem a qualificação básica “Windows-Word-Excel” exigida no currículo. E que 90% do mercado usa.
Ah, quer saber? Azar do laboratório, que é do mal, pois usa software proprietário. Os jovens serão livres, é o que importa! Livres inclusive para ficarem desempregados.

Duvidam? Leiam aqui.

Gente, estamos falando de educação. Inclusão digital. Eu sou radicalmente a favor que repartições públicas e entidades governamentais usem software livre, afinal, trata-se de milhões economizados dos NOSSOS bolsos em licenças.

Mas na educação não. A escola tem que preparar a meninada para tudo. Vamos ensinar Linux, Ubuntu, Windows, vamos ensinar tudo aos jovens, principalmente a serem formadores de opinião e escolherem o que querem. É errado impor só Windows, tão errado quanto impor só Linux. Imposição não funciona. Conhecendo os dois sistemas, os jovens poderão até mudar a mentalidade dos mais velhos, mostrando as vantagens do software livre em contraposição ao software proprietário. Ah, sim, mesmo que eles queiram ser advogados no futuro, sinto muito, terão que aprender matemática também.

Podem falar que Linux é a única salvação contra os altos índices de pirataria que grassam no país. Mas a meu ver, até pirataria é opção. Assim como furar sinal vermelho, bater carteira na rua, jogar água na bomba de gasolina, ou qualquer outra contravenção. Pelo menos a pirataria deixaria de ser desculpa para a falta de conhecimento.

E quem acha que, ao expor as situações 1, 2 e 3, eu exagerei ao comparar sistema operacional com religião, está muito enganado.

Categories: Política
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