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Conteúdo digital: Mercado com abusos e sem padrões

19 de fevereiro de 2010 1 comentário

Um executivo me mandou um e-mail nesta tarde, com uma única frase: “Por que o mercado de conteúdo digital não vai pra frente?”

Como um bom reclamão, resolvi responder aqui:

O mercado de conteúdo digital vai para frente, vai muito além do que imaginamos, o problema é que ele é totalmente decentralizado, fora de qualquer padrão e extremamente abusivo.

Podemos definir a área em 4 grandes nichos:

  • Mercado musical – onde englobam os trabalhos de produção sonora distribuidas digitalmente, e que as gravadoras odeiam tanto;
  • Mercado cinematográfico – onde englobam os trabalhos audiovisuais, filmes, seriados e afins;
  • Mercado de entretenimento digital – que envolvem os jogos eletrônicos, jogos de azar e jogos familiares/casuais; e
  • Mercado de serviços eletrônicos – que tratam de acesso a aplicações web, serviços em cloud computing, modalidades “software as a service”, etc.

Tirando o mercado de serviços eletrônicos, onde são dedicados ao casal computador + internet da forma que conhecemos e voltados para uma plataforma ou serviço em específico, todas as outras estão em crise. Uma crise de identidade, crise existencial. São sobre estes três primeiros mercados sobre qual me aprofundarei.

O mercado musical é desorganizado, traumatizado, desesperado para se tornar rentável a todo custo, e com isso são gerados contratos e mais contratos entre empresas de distribuição e cada uma das gravadoras que querem fazer parte desse negócio, englobando forma e formato de distribuição, métodos de proteção contra cópia indevida e outras características.

O que acontece de fato é que as gravadoras perderam, a muito tempo, a rentabilidade garantida da venda de mídias físicas, e querem retomar de alguma forma, mesmo sabendo que a muito tempo seu trabalho era conhecido como sangue-suga de ambas as partes, dos artistas e dos consumidores.

Ao meu ver, o artista ganha muito mais em seus shows, participações em eventos e venda de trilhas para outras produções audiovisuais do que vendendo cdzinho nas lojas. Isso era fato a algum tempo, agora é óbvio. As gravadoras se desesperam ainda mais quando o artista apóia o compartilhamento de suas obras pela internet.

O caso mais claro de sucesso para contornar esse problema, como serviço, é o iTunes. Ele tem um grande catálogo de grandes produtoras e artistas independentes, vendas em alta e índice quase nulo de falhas, exceto pelo fato de ser restrito para algumas partes do planeta. Brasileiros, por exemplo, não podem acessar o catálogo de músicas do iTunes, o que faz o negócio perder seu sentido, é o que chamamos de “desglobalização da internet”. Como algo disponível em uma rede mundial é restrito para algumas regiões? Fica a pergunta no ar.

Para exemplificar um caso nacional, temos o Sonora, do provedor Terra. Ele vende músicas, como o iTunes, e as reproduz online, como o LastFM. A diferença neste caso é que o catálogo do Sonora é extremamente limitado, procurei por minhas 2 bandas preferidas, que são finlandesas, e não as encontrei no Sonora. Outro problema é que todas as músicas possuem DRM, ou seja, são protegidas digitalmente. Elas necessitam de aplicações e licenças exclusivas para serem reproduzidas, isso quer dizer que eu não posso simplesmente colocar em qualquer aparelho de MP3 antigo que fatalmente não funcionará. É totalmente previsível, e compreensível, que a grande maioria dos consumidores em potencial deste conteúdo sinta-se no direito de copiar o material sem qualquer pudor.

O mercado cinematográfico sofre praticamente do mesmo mal, sob a condição de ser ainda mais restritivo. o iTunes, além de só distribuir filmes em alguns países, também os protege com DRM. A Sony faz o mesmo através do Playstation Network, e não encontrei sequer 1 empresa que oferecesse para o Brasil um catálogo no mínimo tolerável de filmes para venda ou locação.

Assim como no mercado musical, as produtoras estão desesperadas, ainda que elas consigam grande parte de sua rentabilidade em um ambiente livre de cópias, que é o conforto de uma sala de cinema, porém, ainda são vilãs, aliás, todos são. Do valor total pago em uma entrada para cinema, 97% deste, NO MÍNIMO, vai para o estabelecimento. Sem considerar o preço exorbitante e superfaturado dos comestíveis do local. Do que resta, a maior parte vai para a produtora, quem fecha a edição e faz o marketing. O “pouco” que sobra (embora tenham faturamentos milionários, é muito pouco comparado ao lucro da produtora) vai para a mão dos estúdios, que colocam a mão na massa e pagam o seu casting.

Filmes na forma de conteúdo digital, ao meu ver, não anda pra frente, e não andará. Não há lançamentos sincronizados entre diferentes países, não há serviços ditribuindo o material, não há padrão de formato, há proteção (inútil) d+, e assim o mercado não anda, esse não anda mesmo.

O mercado de entretenimento digital, apesar de ser o mais bem sucedido, é o que mais agride seus consumidores. Tirando casos de sucesso como aplicativos de redes sociais, alguns jogos de azar como o PokerStars e PKR, e serviços por assinatura como os jogos conhecidos por MMO (Massive Multiplayer Online game), os serviços de distribuição de entretenimento é uma zona.

Primeiramente, as grandes produtoras sobrem de um mal que apelidei carinhosamente de “síndrome de EA”, devido a frequência com que a produtora Eletronic Arts lança títulos novos, praticamente inalterados, em um curto prazo de tempo. Títulos da EA Sports como a série FIFA, e a série Need for Speed da produtora-chefe, chegam a ser lançados em intervalos menores que 1 ano. Sem falar nas dezenas de expansões lançadas para a série The Sims em um mesmo ano. Entram nesta dança produtoras como Ubisoft e Konami. A solução não agride ninguém, bastaria converter o título para uma modalidade de serviço, ou simplesmente lançar expansões (pagas, claro) que inovam o jogo. Jogadores menos dedicados a um título em específico (que, inclusive, trata-se da maioria), ficarão muito mais propensos a adquirir a expansão, que simplesmente adquirir um novo título sobre um jogo praticamente idêntico lançado no ano anterior.

Em segundo ponto, entram em conflito as disputas por plataformas. Diversas produtoras lançam o mesmo título para vários consoles, celulares e PC, porém, o lançamento para PC, em diversos casos, chegam com muito atraso, as vezes com mais de 1 ano de atraso. Também são raros os casos com o conteúdos extras oferecidos online de alguns títulos são disponibilizados para PC, em sua maioria, não são. É o caso de títulos como Resident Evil 5 (Capcom), Burnout Paradise (Eletronic Arts), FIFA 10 (EA Sports), entre MUITOS outros. e ainda reclamam que as vendas de títulos para PC são fracas…. mas é claro! A grande maioria dos consumidores destes títulos possuem mais de uma plataforma de entretenimento, alguns possuem console e PC, outros possuem diversos consoles, sabendo que a produtora costuma “dar uma mancada” desse porte, é óbvio que ele vai fugir dela ou adquirir uma versão para console, quando realmente for viável!

Outro ponto que dificulta bastante a progressão do mercado em entretenimento digital é o formato de distribuição. Algumas produtoras utilizam plataformas de distribuição com DRM integrado, como o Steam e o Direct2Drive, porém, insistem em utilizar uma segunda camada de proteção contra cópias indevidas, o que irrita terrivelmente os consumidores. Existem também casos onde as produtoras distribuem títulos somente para uma distribuidora digital, ou por um serviço de distribuição próprio, o que afasta qualquer consumidor que não estiver familiarizado com aquele serviço. E por último, assim como é o caso do mercado musical, existem muitos conteúdos que já desapareceram do comércio formal, e que continuam inexistentes nas plataformas de distribuição digital, como é o caso de títulos como Worms, Populous, Carmageddon, F.E.A.R. (que inclusive publicou sua continuação online, o que deixou a história sem sentido) e Diablo (idem).

Não me surpreende as notícias referente a pirataria de titulos de entretenimento, cópias de músicas e filmes em massa. A indústria impõe restrições que a flagelam, restringe (ou desglobaliza) sua distribuição, aplica proteções que não funcionam, e em todas as tentativas de contornar tal situação prejudicou unicamente o pobre consumidor, onde são poucos os que insistem em ser honestos, e muitos outros que já desistiram de ser.

Categories: Empresas, Pessoal, Tecnologia

#MicrosoftFail

26 de setembro de 2009 3 comentários

Microsoft FailMe simpatizei com essas hashtags “a la Twitter”, simpáticas, não?

Elas podem descrever tudo o que quer dizer em poucas letras, ou não, #mesmoquevcescrevaumafraseimensasemdarumunicoespaco.

A Microsoft é uma das empresas mais afetadas pela pirataria no mundo… (se não me engano, ela está competindo com a Adobe) e convenhamos, é a que menos pode reclamar disso, ao menos no Brasil. Eu sou veemente CONTRA a pirataria, mas o fornecedor precisa colaborar, o que não é o caso da Microsoft.

Vamos começar pelo preço: Enquanto um sistema operacional da Microsoft custa, “lá fora”, 169 dólares, no Brasil o preço dele gira em torno de 700 reais. PORRA! 700 REAIS! Mesmo se considerássemos a compra do software, o IOF, taxas de alfândega, manuseio, recriação de manuais, impostos de importação da receita federal e lucro da matriz, este valor não ultrapassaria 350 reais! Notem que estamos falando sobre a METADE do cobrado no cenário atual. O pacote Office é um show a parte, tem versões custando 1500 reais! Só rindo.

A disponibilidade é outro fator grave: Eu compro TUDO pela internet. Jogos, serviços de hospedagem, serviços de e-mail, domínios, etc, eu quero colocar meu cartão de crédito em um formulário, apertar enter e receber o produto via download, ou o serviço online, na hora, em um sábado a noite, isso se chama conveniência! Quem conhece minha conta no Steam sabe que ela tem registrado cerca de 350 jogos legalmente adquiridos, graças a tal conveniência, sem contar outros serviços. Alguém aí acha que eu pago hospedagem nacional? Ainda mais através de boleto bancário? Convenhamos.

A Microsoft anunciou que NÃO vai vender o pacote “família” do novo sistema operacional no Brasil (nem online, nem no varejo), também anunciou que NÃO vai oferecer a opção Anytime Upgrade para os brasileiros (vc não pode fazer upgrade do seu sistema online), e para piorar não vai vender NENHUM produto online no Brasil. Quem aí acha que eu vou ficar visitando site de ecommerce e esperar dias (ou semanas) até um dvdzinho ser entregue? Eu tive que usar um endereço dos EUA falso para comprar o Microsoft Money deles! Isso é que é bizarro, eu querendo PAGAR, e ninguém querendo vender!

DRM: Não basta você burlar o sistema para DAR dinheiro a eles, a Microsoft pode fazer questão de roubar você, cuidado. Eu comprei o Microsoft Money, conforme disse acima, em abril de 2009. Em junho de 2009 recebi um aviso de que o produto não será mais comercializado, até então tudo bem, eu paguei pelo meu produto e estou usando… mas no aviso também dizia que, se eu não ativar meu produto até janeiro de 2011, ele não poderá ser mais ativado! PORRA! Quer dizer que eu não posso formatar nem trocar de computador após 2011?? Que porra é essa??? Você paga por um produto achando que o está comprando, e na verdade está alugando? Crack nele! Estudei seu protocolo de ativação, exportei as chaves alteradas e pronto, meu produto é ativado por mim, e não pelo servidor DRM da Microsoft. Se fuder…

…E cuidado:

TODO produto recente da Microsoft, como o Windows Vista, Windows 7, Windows Server 2008, Office 2007, Office 2010, entre outros, vem com DRM embutido, no caso, só funcionam após fazer uma ativação online ou por telefone, e terão mais cedo ou mais tarde o mesmo fim que a Microsoft deu para meu Money. Ou seja, após um tempo de compra ela pode simplesmente não permitir que você instale o programa que você comprou. Não é lindo?

Me respondam: Sobre um produto que custa 100% a mais do que o necessário, que não tem a mínima conveniência de acesso, e que pode ser tirado das mãos do comprador a qualquer momento… QUEM É A ANTA QUE VAI PAGAR POR ISSO???

Não preciso entrar em detalhes do tipo “o console de videogame da Microsoft não tem wifi, usa pilhas, e vc precisa PAGAR para jogar online, mesmo pagando pelo console e pelos jogos, sem levar em consideração que você ainda assim precisa criar uma conta com endereço falso dos EUA para poder dar dinheiro a eles…”  (sic)

Conforme eu disse, sou veemente contra a pirataria… mas Microsoft, vai se fuder.

Update: A Info Online acabou de reportar que o upgrade para o Windows 7 custará 87% mais caro no Brasil que nos Estados Unidos, e custará 450% mais caro para o usuário que quiser atualizar 3 computadores domésticos no Brasil, em relação também aos Estados Unidos. Eu tenho 2 notebooks e 1 desktop, e para passar eles para o Windows 7, nos Estados Unidos, eu gastaria 267 reais. No Brasil, eu gastaria 1197 reais para fazer esta mudança!!! Gastaria, pq novamente: QUEM É O IDIOTA QUE VAI PAGAR ISSO? A Microsoft não tem o direito de falar sobre pirataria no Brasil.

Categories: Empresas, Pessoal

Desglobalização e globalização assíncrona

17 de setembro de 2009 Sem comentários

Muitas empresas ainda não entenderam: Por mais impecílios que existam, a globalização demanda alguns pontos que devem ser observados quando pensamos em distribuição de produtos e serviços. O que listo abaixo são 2 cenários que tratam os impacto negativo nas empresas que “promovem” a “desglobalização”:

  1. Se sua marca é mundial, seu produto ou serviço deve ser lançado mundialmente. Não adianta selecionar áreas de atuação, se você não entregar ou adiar o lançamento de um produto ou serviço em determinada região, você terá contra si 3 fatores: A não exploração deste mercado, o contrabando ou violação de acesso e a pirataria. Se ainda assim, teimar em fazer lançamentos tardios nestas regiões, ainda terá uma atuação frustrada, pois seu produto se tornou obsoleto. Exemplos: HTC lança o celular Touch Pro no Brasil após 2 anos de lançamento em outros países, Microsoft lança produtos no Brasil com defasagem e/ou preços superfaturados em relação a outros países.
  2. Se sua marca não é mundial, seu produto não deve ter restrições contra acesso a ele. Não tente impedir que usuários compre seus produtos, eles querem te pagar, na moeda que o fornecedor deseja! Impedir que um produto ou serviço seja acessível por consumidores que estão fora da sua região de atuação cria os mesmos 3 fatores contra si: A não exploração deste mercado (o que é um absurdo, uma vez que o consumidor está disposto a te pagar, na sua moeda, pelo seu serviço), o contrabando ou violação de acesso, e com muito mais intensidade a pirataria, pois um usuário que deseja um produto ou serviço que não está disponível em seu país e que o fornecedor implanta bloqueios que explicitamente impedem o consumidor de acessar este recurso, ele “concede a si” o direito de copiar ilegalmente este produto ou serviço, uma vez que não há outra forma de obtê-lo. Exemplos: Apple não vende conteúdo do iTunes no Brasil, Sony não aluga ou vende conteúdo de vídeo do Playstation Network no Brasil, Publishers de entretenimento digital não vendem alguns conteúdos através de distribuição digital, Microsoft impede aquisição de produtos no Brasil.

Não vou entrar na discussão referente ao DRM, mas quero dar um brief. O DRM é mais que um impecílio que impacta violentamente na pirataria no mundo. Eu não compraria músicas no iTunes mesmo se existisse no Brasil se eles fossem distribuidos com DRM, meu celular não lê músicas com DRM. Existem algumas vendedoras de música digital no Brasil, mas TODAS, além de possuírem um catálogo de músicas limitadíssimo, também só as distribuem com DRM. Que saída teria a não ser a pirataria?

Eu cheguei a falsificar um endereço dos EUA para poder comprar legalmente o Money, da Microsoft, e MESMO ASSIM  não poderei usá-lo após 2011 por causa do DRM! Nunca mais compro um produto da Microsoft, não quero um dia instalar um Office lançado a 5 anos atrás e ser surpreendido com um aviso dizendo que não posso ativá-lo porque o servidor de ativação foi desligado.

Categories: Empresas, Finanças

DRM em crise: A Microsoft impede que usuários instalem programas legítimos após um período

26 de junho de 2009 2 comentários

Antes de “vomitar” algo sobre o DRM, vamos explicar:

O que é o DRM?

DRM é a sigla para Digital Rights Management, ou Gestão de direitos digitais (em português), e visa controlar, monitorar ou impedir acesso a conteúdos digitais, criptografando-os, bloqueando seu acesso ou requisitando alguma autorização remota prévia para disponibilizar o conteúdo em questão.

Atualmente o DRM está em praticamente todos os conteúdos oferecidos atualmente, como músicas, vídeos, jogos, aplicações em geral e sistemas operacionais, ele também está embutido em mídias de CD, DVD e BD, além de mídias proprietárias como o UMD.

O problema, quando o DRM requer autorização:

Existem milhões de motivos para criticar o DRM, e a mais óbvia delas é que ele não impede a única função para foi criado: A pirataria. TUDO existente até hoje, que possui DRM, foi de alguma forma copiado, pirateado e distribuído sem esta proteção, o que deixa claro que o DRM é inútil.

O segundo ponto mais criticado é em relação as aplicações intrusivas. Quando você coloca um CD de música no seu computador paro ouví-lo, automaticamente, se ele possuir uma proteção contra cópia, irá instalar em seu computador um programa para tentar impedir o usuário de fazê-lo. O problema é que, além de instalar um programa sem seu consentimento, ele é inicializado com seu sistema operacional, consumindo recursos, e claro, mesmo assim não evita a pirataria.

O terceiro ponto mais criticado é a falta de compatibilidade entre ambientes. Se você comprar uma música com DRM, ela vem em formato e codificação específicos que não funcionam em tocadores de MP3 comuns, não preparados para este sistema de “licenças de uso”. E claro, mesmo assim, não impede a pirataria.

O quarto ponto mais criticado, ainda que cada vez menos devido ao acesso popular a internet, é o fato dos sistemas, programas e conteúdos exigirem conexão a internet para autorizar sua execução. Novamente, isso também não evita a pirataria.

O quinto ponto mais criticado, e este avançando agressivamente nos 2 últimos anos, é a limitação de execução dos conteúdos, jogos e sistemas. Algumas empresas distribuidoras destes programas limitam o número de instalação permitida pelo produto adquirido, normalmente baseado em número de computadores. O problema maior é que, mesmo se você não utilizá-lo simultaneamente (o que caracterizaria pirataria), ele só permite que seja instalado uma quantidade máxima de vezes! Exemplificando de forma clara, se você comprar o Windows Vista e instalar em seu computador 1 vez, ele funciona, mas se ele quebrar, você comprar outro computador e instalar nele, não funcionará!

Até aí ainda é aceitável, levando em consideração que você aceitou este controle DRM ao comprar o produto, em alguns casos basta um contato telefônico para fazer esta liberação não esperada, o problema é quando a empresa simplesmente se recusa a autorizar a execução do programa.

Problema Microsoft: Proprietários do Microsoft Money não poderão instalá-lo após dia 31 de janeiro de 2011

A Microsoft anunciou no dia 13 de junho de 2009 que não comercializará o produto/programa Microsoft Money, e que seus serviços online e suporte serão descontinuados até 2011. Até então não vejo problemas, uma vez que sua subscription (assinatura) e período de suporte estão estipulados em contrato (TOS).

O problema de fato é que, a partir do dia 31 de janeiro de 2011, não só o suporte e serviços online ficarão indisponíveis, mas também não será mais possível utilizar o software se for necessária sua ativação. Isso significa que, se seu computador quebrar, for formatado, ou simplesmente for trocado, você não poderá mais utilizar o software que adquiriu, pois no final da instalação o programa solicita uma ativação pela internet e esta ativação não estará mais disponível.

Esta limitação não é informada ao adquirir o produto, e o problema maior é que ela também não resume-se somente ao Microsoft Money.

Sistemas como o Windows Vista, Windows 7 e programas como o Microsoft Office 2007 utilizam-se do mesmo recurso de DRM, se não for ativado online em um determinado período, eles deixam de funcionar, isso quer dizer que não só os proprietários do Microsoft Money, mas de outros produtos da Microsoft podem simplesmente perder o direito de utilizar os produtos comprados a qualquer momento.

Em contato com a Microsoft, eles informaram que “não poderiam fazer nada quanto ao caso”, e que o produto adquirido realmente não poderia mais ser instalado após dia 31 de janeiro de 2011, conforme informa este comunicado na página do produto.

Entramos na era onde produtos ativados ou distribuídos digitalmente também possuem prazo de validade… lesando consumidores legítimos na tentativa de se defender da pirataria, lembrando que todos os esforços foram em vão. Me sinto violentamente lesado, ou roubado, que seja.

Categories: Pessoal, Tecnologia

O teimoso fim do DRM

25 de março de 2009 Sem comentários

Venho a  um bom tempo falando sobre DRM (digital rights management - gestão de direitos digitais), com empresas distribuidoras de conteúdo digital, mas eles insistem. A Ubisoft reconheceu seu erro e removeu o DRM de alguns títulos de jogos antigos, a Rockstar embora não tenha amolecido, ao menos tem prestado suporte sobre o caso, o iTunes também está distribuindo músicas sem DRM a algum tempo… mas nem tudo é um mar de rosas.

A Eletronic Arts, teimosa como sempre, ainda não entendeu que DRM é mal. “Enfiou” um rootkit garganta abaixo de seus consumidores, limitaram a instalação de títulos, e continuam fazendo. Outras empresas como a Zuxxez entenderam o quão DRM é prejudicial, o abandonaram, mas não se importam com seus clientes que ainda enfrentam problemas por causa disso. Serviços cretinos como o Sonora, uma versão nacional do iTunes distribuído pelo Terra, dispensa comentários, além de usar DRM. Seja como for, DRM é inútil.

Colocar DRM em uma trilha de música ou título de jogo é a coisa mais estúpida a se fazer. A engenharia reversa, exploração de vulnerabilidades e a cultura do ser humano nos leva a sermos práticos, e sempre será, não há sequer 1 título no mundo inteiro com DRM que não tenha sido violado, modificado, e distribuido sem proteções. Não quer que distribuiam sua obra ilegalmente? Mostre as vantagens de fazê-lo legalmente! Não quer ver sua obra pirateada? Existem N meios melhores e certamente mais eficazes de distribuir conteúdo digital sem problemas! Mas instalar aplicações escondidas no computador do usuário ou controlar o número de vezes que ele pode abrir ou instalar algo definitivamente não é o melhor meio.

Criador de World of Goo critica uso de softwares de DRM

Em uma palestra durante a GDC, o criador de World of Goo, Ron Carmel, falou sobre o que pensa sobre a idéia de proteger jogos de PC com softwares de DRM, que prometem evitar a pirataria. Sensato, Carmel disse que as empresas que tentaram isso apenas desperdiçaram seu dinheiro. Para ele, qualquer coisa que seja interessante será crackeada, e a versão pirata será mais confortável para o usuário, já que ele não precisará inserir gigantescos números de série ou se preocupar com algum limite do número de vezes que seu jogo poderá ser instalado.

“Qualquer um que quiser o jogo irá encontrá-lo em sites de BitTorrent”, disse ele ao site GameSpot. “Estará crackeado, mesmo com o DRM, e estará disponível tão rapidamente que eu não vejo o ponto em ter DRM”, ponderou

Camel também aproveitou para dar dicas aos produtores independentes de jogos. Ele alertou para que eles não se preocupassem em vender seus produtos em lojas, na mídia física. Para ele, produtoras independentes vendem melhor se bancarem sua própria distribuição, através de distribuição digital.

Ao mesmo tempo, o antipático (e cri-cri) co-fundador da VALVe, Gabe Newell, lembrou que o Steamworks faz do DRM um sistema obsoleto (como se alguma vez serviu para alguma coisa).

…por causa do DRM, meu Babylon não para de gritar comigo dizendo que estou usando mais licenças do que eu tenho, levando em consideração que eu sempre desinstalo o software de um hardware antigo antes de instalá-lo em um novo, e meu jogo Earth 2160 não instala pois o servidor que controla o DRM desse título foi… simplesmente… desligado. Alguém aqui fala alemão fluentemente?

Categories: Empresas, Pessoal
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