Muitas empresas ainda não entenderam: Por mais impecílios que existam, a globalização demanda alguns pontos que devem ser observados quando pensamos em distribuição de produtos e serviços. O que listo abaixo são 2 cenários que tratam os impacto negativo nas empresas que “promovem” a “desglobalização”:
Não vou entrar na discussão referente ao DRM, mas quero dar um brief. O DRM é mais que um impecílio que impacta violentamente na pirataria no mundo. Eu não compraria músicas no iTunes mesmo se existisse no Brasil se eles fossem distribuidos com DRM, meu celular não lê músicas com DRM. Existem algumas vendedoras de música digital no Brasil, mas TODAS, além de possuírem um catálogo de músicas limitadíssimo, também só as distribuem com DRM. Que saída teria a não ser a pirataria?
Antes de “vomitar” algo sobre o DRM, vamos explicar:
O que é o DRM?
DRM é a sigla para Digital Rights Management, ou Gestão de direitos digitais (em português), e visa controlar, monitorar ou impedir acesso a conteúdos digitais, criptografando-os, bloqueando seu acesso ou requisitando alguma autorização remota prévia para disponibilizar o conteúdo em questão.
Atualmente o DRM está em praticamente todos os conteúdos oferecidos atualmente, como músicas, vídeos, jogos, aplicações em geral e sistemas operacionais, ele também está embutido em mídias de CD, DVD e BD, além de mídias proprietárias como o UMD.
O problema, quando o DRM requer autorização:
Existem milhões de motivos para criticar o DRM, e a mais óbvia delas é que ele não impede a única função para foi criado: A pirataria. TUDO existente até hoje, que possui DRM, foi de alguma forma copiado, pirateado e distribuído sem esta proteção, o que deixa claro que o DRM é inútil.
O segundo ponto mais criticado é em relação as aplicações intrusivas. Quando você coloca um CD de música no seu computador paro ouví-lo, automaticamente, se ele possuir uma proteção contra cópia, irá instalar em seu computador um programa para tentar impedir o usuário de fazê-lo. O problema é que, além de instalar um programa sem seu consentimento, ele é inicializado com seu sistema operacional, consumindo recursos, e claro, mesmo assim não evita a pirataria.
O terceiro ponto mais criticado é a falta de compatibilidade entre ambientes. Se você comprar uma música com DRM, ela vem em formato e codificação específicos que não funcionam em tocadores de MP3 comuns, não preparados para este sistema de “licenças de uso”. E claro, mesmo assim, não impede a pirataria.
O quarto ponto mais criticado, ainda que cada vez menos devido ao acesso popular a internet, é o fato dos sistemas, programas e conteúdos exigirem conexão a internet para autorizar sua execução. Novamente, isso também não evita a pirataria.
O quinto ponto mais criticado, e este avançando agressivamente nos 2 últimos anos, é a limitação de execução dos conteúdos, jogos e sistemas. Algumas empresas distribuidoras destes programas limitam o número de instalação permitida pelo produto adquirido, normalmente baseado em número de computadores. O problema maior é que, mesmo se você não utilizá-lo simultaneamente (o que caracterizaria pirataria), ele só permite que seja instalado uma quantidade máxima de vezes! Exemplificando de forma clara, se você comprar o Windows Vista e instalar em seu computador 1 vez, ele funciona, mas se ele quebrar, você comprar outro computador e instalar nele, não funcionará!
Até aí ainda é aceitável, levando em consideração que você aceitou este controle DRM ao comprar o produto, em alguns casos basta um contato telefônico para fazer esta liberação não esperada, o problema é quando a empresa simplesmente se recusa a autorizar a execução do programa.
Problema Microsoft: Proprietários do Microsoft Money não poderão instalá-lo após dia 31 de janeiro de 2011
A Microsoft anunciou no dia 13 de junho de 2009 que não comercializará o produto/programa Microsoft Money, e que seus serviços online e suporte serão descontinuados até 2011. Até então não vejo problemas, uma vez que sua subscription (assinatura) e período de suporte estão estipulados em contrato (TOS).
O problema de fato é que, a partir do dia 31 de janeiro de 2011, não só o suporte e serviços online ficarão indisponíveis, mas também não será mais possível utilizar o software se for necessária sua ativação. Isso significa que, se seu computador quebrar, for formatado, ou simplesmente for trocado, você não poderá mais utilizar o software que adquiriu, pois no final da instalação o programa solicita uma ativação pela internet e esta ativação não estará mais disponível.
Esta limitação não é informada ao adquirir o produto, e o problema maior é que ela também não resume-se somente ao Microsoft Money.
Sistemas como o Windows Vista, Windows 7 e programas como o Microsoft Office 2007 utilizam-se do mesmo recurso de DRM, se não for ativado online em um determinado período, eles deixam de funcionar, isso quer dizer que não só os proprietários do Microsoft Money, mas de outros produtos da Microsoft podem simplesmente perder o direito de utilizar os produtos comprados a qualquer momento.
Em contato com a Microsoft, eles informaram que “não poderiam fazer nada quanto ao caso”, e que o produto adquirido realmente não poderia mais ser instalado após dia 31 de janeiro de 2011, conforme informa este comunicado na página do produto.
Entramos na era onde produtos ativados ou distribuídos digitalmente também possuem prazo de validade… lesando consumidores legítimos na tentativa de se defender da pirataria, lembrando que todos os esforços foram em vão. Me sinto violentamente lesado, ou roubado, que seja.
Venho a um bom tempo falando sobre DRM (digital rights management - gestão de direitos digitais), com empresas distribuidoras de conteúdo digital, mas eles insistem. A Ubisoft reconheceu seu erro e removeu o DRM de alguns títulos de jogos antigos, a Rockstar embora não tenha amolecido, ao menos tem prestado suporte sobre o caso, o iTunes também está distribuindo músicas sem DRM a algum tempo… mas nem tudo é um mar de rosas.
A Eletronic Arts, teimosa como sempre, ainda não entendeu que DRM é mal. “Enfiou” um rootkit garganta abaixo de seus consumidores, limitaram a instalação de títulos, e continuam fazendo. Outras empresas como a Zuxxez entenderam o quão DRM é prejudicial, o abandonaram, mas não se importam com seus clientes que ainda enfrentam problemas por causa disso. Serviços cretinos como o Sonora, uma versão nacional do iTunes distribuído pelo Terra, dispensa comentários, além de usar DRM. Seja como for, DRM é inútil.
Colocar DRM em uma trilha de música ou título de jogo é a coisa mais estúpida a se fazer. A engenharia reversa, exploração de vulnerabilidades e a cultura do ser humano nos leva a sermos práticos, e sempre será, não há sequer 1 título no mundo inteiro com DRM que não tenha sido violado, modificado, e distribuido sem proteções. Não quer que distribuiam sua obra ilegalmente? Mostre as vantagens de fazê-lo legalmente! Não quer ver sua obra pirateada? Existem N meios melhores e certamente mais eficazes de distribuir conteúdo digital sem problemas! Mas instalar aplicações escondidas no computador do usuário ou controlar o número de vezes que ele pode abrir ou instalar algo definitivamente não é o melhor meio.
Criador de World of Goo critica uso de softwares de DRM
Em uma palestra durante a GDC, o criador de World of Goo, Ron Carmel, falou sobre o que pensa sobre a idéia de proteger jogos de PC com softwares de DRM, que prometem evitar a pirataria. Sensato, Carmel disse que as empresas que tentaram isso apenas desperdiçaram seu dinheiro. Para ele, qualquer coisa que seja interessante será crackeada, e a versão pirata será mais confortável para o usuário, já que ele não precisará inserir gigantescos números de série ou se preocupar com algum limite do número de vezes que seu jogo poderá ser instalado.
“Qualquer um que quiser o jogo irá encontrá-lo em sites de BitTorrent”, disse ele ao site GameSpot. “Estará crackeado, mesmo com o DRM, e estará disponível tão rapidamente que eu não vejo o ponto em ter DRM”, ponderou
Camel também aproveitou para dar dicas aos produtores independentes de jogos. Ele alertou para que eles não se preocupassem em vender seus produtos em lojas, na mídia física. Para ele, produtoras independentes vendem melhor se bancarem sua própria distribuição, através de distribuição digital.
Ao mesmo tempo, o antipático (e cri-cri) co-fundador da VALVe, Gabe Newell, lembrou que o Steamworks faz do DRM um sistema obsoleto (como se alguma vez serviu para alguma coisa).
…por causa do DRM, meu Babylon não para de gritar comigo dizendo que estou usando mais licenças do que eu tenho, levando em consideração que eu sempre desinstalo o software de um hardware antigo antes de instalá-lo em um novo, e meu jogo Earth 2160 não instala pois o servidor que controla o DRM desse título foi… simplesmente… desligado. Alguém aqui fala alemão fluentemente?