I’m stepping out. Ou em bom português, estou me demitindo.
Estou saindo do cargo de coordenador de tradução do Core Team da VALVe por alguns bons motivos.
- Primeiro, pela integridade das pessoas que amo. Por 2 vezes, embora consentido, a minha equipe de tradução tem tentado “colocar o mundo em ordem” através de meios não convecionais. Como “fazer justiça com as próprias mãos” está previsto no código penal, eu tentei ao máximo mitigas os problemas mais graves, como acesso a informações confidenciais, violação de privacidade, perseguiçao e monitoramento de ativos e pessoas. Como não obtive sucesso, e como em 2 momentos fui extremamente infeliz em saber de verdades que não precisam ser ditas, eu me demito, antes que eu me torne realmente uma pessoa amarga e infeliz, estou longe de me tornar isso.
- Segundo, pela minha satisfação pessoal. Representar a VALVe, ou melhor, a plataforma Steam no Brasil me traz uma satisfação muito grande, mas… não me traz retorno. O tempo desprendido com estudo de casos, análises e participação totalmente indireta no PR da Valve Corporation me deixou com uma sensação de “mula de carga”. Prefiro desprender 2 horas da minha noite para satisfação pessoal com meus hobbies que tradudindo artigos de um gestor que não sabe dar feedback.
- E terceiro, pela minha boa vontade. O sr. Burton Johnsey, mesmo que não tivesse opção na hora de assumir a postura de gestor do Core Team, é péssimo no que faz. Infelizmente, pelas inúmeras tentativas de comunicação interpessoal sem retorno direto e pela falta de feedback, além de sua postura corporativa e baixa capacidade de diálogo, minha boa vontade com a Valve Corporation foi para o espaço. Não é somente com ele, o sr. Gabe Newell carrega um grande lack em seus feedbacks, o mesmo para o Doug Lombardi, o mesmo para Augusta Butlin e Arsenio Navarro. Boas pessoas aliás, mas lhe faltam ainda um timming para pegar as oportunidades na hora certa.
Saudade do Daniel LeFree.
Sim, eu me referi a FORCA, não a força.
Os aplicativos de entretenimento, principalmente os jogos desenvolvidos para computador e consoles que se conectam a internet, estão com certa “mania” de fornecer alguns recursos que os jogadores sempre desejaram, chamado achievements.
…mas o que é isso?
Achievements são conquistas que você faz durante o jogo, não simplesmente por terminá-lo, chegar ao final, toda a ladainha que existe desde os consoles 8 bits, mas sim um relatório de todos os seus desempenhos e conquistas pre-determinados pelo fabricante. Essa idéia de achievements existe desde os eventos sociais interativos, onde os visitantes cumpriam algumas missões e até sessões de “quiz” para concorrer a prêmios.
O sistema de achievements é um caminho sem volta, com duplo impacto aos produtores de jogos, distribuidores e aos próprios jogadores.
Primeiramente, ele faz com que todo jogo seja muito mais explorado, muito além do típico “início-fim” de jogo no qual estávamos acostumados.
Segundo, consequentemente, o jogador vai se dedicar mais aos títulos que lhe agradar mais.
Terceiro, tendo em vista esta “parceria a longo prazo”, os jogadores passaram a não consumir títulos em massa, mas sim escolher criteriosamente aqueles que lhe proporcionam maior experiência.
Quarto, as desenvolvedoras e produtoras estão se dedicando a publicar títulos mais complexos, e menos frequentes, para este público exigente.
…e quinto, aqueles que não souberem explorar este mercado está restrito a fatia de mercado mais desatenta a sua própria experiência.
Aquelas empresas que lhe fornecerem melhores desafios e interações com seus achievements ainda terão mais vantagens sobre as concorrentes, uma vez que a experiência do jogador é melhor quando ele pode divulgar, comparar e ser motivado a superar oponentes através destas conquistas.
Meus cumprimentos a Valve e a Blizzard por seus avanços em relação a evolução do entretenimento eletrônico.